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Adam Green

Jacket Full of Danger

01.06.2006 - 11:38 Por Mário Lopes, PÚBLICO, Rough Trade; distri. Edel

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Apesar de a carreira a solo ter começado com "Garfield", em 2002, foi apenas com o álbum seguinte, o fascinante "Friends of Mine", que Adam Green se revelou verdadeiramente como compositor singular no cenário musical deste início de século XXI.

Aí, guitarras acústicas serviam base folk para canções engrandecidas pela presença de uma banda e, principalmente, das orquestrações que davam à simplicidade das melodias uma graciosidade irrecusável. As letras funcionavam como toque distintivo definitivo: delírios adolescentes sobre relações disfuncionais, devaneios surrealistas de forte ressonância poética ou contos "trash" em forma de canção pop. "Gemstones", de 2004, era ainda tudo isso, mas despido das orquestrações e recheado de criações mais complexas e de melodias menos memoráveis. Era o meticuloso Adam Green a sofisticar a composição, mas ainda à procura de como equilibrar esse desejo de maior complexidade com a capacidade anterior de tornar cada canção um vício pop irresistível. "Jacket Full Of Danger", na glória dos seus 30 minutos de duração, é a concretização daquilo que o seu antecessor apenas ameaçava. Regressam as orquestrações e, com elas, a opulência majestosa de "Friends Of Mine". Aparece a electricidade na guitarra e Hammond a reverberar intensamente, Adam Green transforma-se pela primeira vez em rock'n'roller, apenas para pôr Jim Morrison a berrar "fuck me baby" a Robert Plant (chama-lhe "White women"). Isso, contudo, é excepção. O que sobressai é esse crooning em casino ilegal que se chama "Hollywood bowl" e tem toda a pinta do mundo, é o teatro pop de "Novotel" – 1 minuto e 20 que Neil Hannon adoraria ter composto –, ou o boogie gingão de "Nat King Cole", que qualquer discoteca decente deveria passar assiduamente. Descubra-se como a Motown é fonte inesgotável de bom gosto na dolência de "Vultures", imagine-se Scott Walker a cantar "I like drugs", com orquestra completa, num cabaret – já o fez?; reviva-se então que vale a pena – e deixemo-nos envolver pela negríssima encenação psicadélica de conto romântico que é "C-birds". "Jacket Full of Danger" é absolutamente clássico e convictamente excêntrico – algures a meio, descobrimos Adam Green como um dos mais interessantes compositores pop da actualidade.

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