A Organização para a preservação da herança cultural do Irão deu oficialmente um prazo de dois meses ao British Museum, em Londres, para que devolva o Cilindro de Ciro, considerado o primeiro tratado de direitos humanos.
Num comunicado difundido pela imprensa local, a organização iraniana ameaça interromper todo o tipo de cooperação científica e administrativa com o Reino Unido se o Cilindro, um cobiçado objecto arqueológico, não estiver de volta a Teerão antes de meados de Dezembro.
Lê-se ainda no comunicado que o British Museum se tinha comprometido a ceder a peça em Março último, para que fosse mostrada numa grande exposição. No entanto, o museu alega agora que prefere mantê-lo em seu poder, em vista da instabilidade que se generalizou a todo o Irão na sequência das polémicas eleições presidenciais de 12 de Junho, cujos resultados a oposição denunciou como fraudulentos.
No passado dia 12 de Outubro, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Hasan Qashqavi, qualificou de “ilegal, ilógica e de dimensão política” a decisão de não ceder ao Irão o famoso Cilindro do rei persa Ciro. “A política interna é um assunto de cada país e nenhuma nação tem o direito de intervir”, afirmou Qashqavi.
O Cilindro de Ciro, o Grande (que governou o Império Persa entre os anos 559 e 530 antes de Cristo), foi descoberto em 1878 durante escavações nas ruínas da antiga cidade de Babilónia. É uma peça cilíndrica de argila em que se gravou, na antiga língua aria e em alfabeto cuneiforme, a primeira declaração de direitos humanos do mundo.


