Indústria fonográfica facturou o ano passado menos 66 por cento do que em 2000

15.05.2009 - 20:19 Por João Pedro Pereira
A facturação da indústria fonográfica com a venda de música em suportes físicos caiu de 106 milhões de euros em 2000 para cerca de 36 milhões em 2008 – a descida ronda os 66 por cento e está longe de ser compensada pelas vendas online. Depois de ter criticado a recente lei francesa anti-pirataria, o Ministro da Cultura criou um grupo de trabalho para abordar o problema dos downloads ilegais.
Para além de excluírem as vendas em formato digital, os números também não têm em conta a venda de DVD musicais (como gravações de concertos, por exemplo). Contudo, o director-geral da Associação Fonográfica Portuguesa, Eduardo Simões, garante que nenhum destes negócios será a salvação do sector: “Em 2008, que foi dos melhores anos em termos de vendas na Internet, não se chegou aos quatro milhões de euros de facturação”.
A venda de música online está em crescimento, admite Simões, mas sublinha que, em Portugal, o negócio assenta sobretudo naquilo que “muitos especialistas consideram um fenómeno de moda”: o download de toques para telemóveis.
Com os números a cair, a indústria há muito que pede novas formas para solucionar o problema da pirataria, que aponta como sendo o principal inimigo. O Governo parece agora estar empenhado numa solução.
Depois de ter criticado a polémica lei adoptada esta semana em França – que prevê, sem recurso a tribunais, o bloqueio do acesso à Internet a quem descarregar ficheiros ilegais – o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, formalizou na quinta-feira a criação de um grupo de trabalho para abordar a questão.
Pinto Ribeiro, citado pela agência Lusa, defendeu que a pirataria é “dramática para a indústria videográfica e fonográfica” e que a solução terá de passar por descobrir “um modelo de negócio que a um tempo permita remunerar os autores e, por outro lado, assegure a acessibilidade” dos conteúdos produzidos.
Há, no entanto, quem defenda que a pirataria não é necessariamente responsável pelo declínio das receitas da indústria musical. Alguns estudos apontam que o download ilegal não se traduz numa redução do volume de compras e formou-se mesmo uma corrente de analistas que defende ser mais importante para os músicos encontrarem novas formas de negócio, nomeadamente usando a distribuição gratuita na Internet como forma de promoção.
A este propósito, Eduardo Simões é contundente e afirma que é uma postura que “não faz qualquer sentido nem é verdade”. Criar novos modelos de negócio, observa, é “extremamente difícil”. E pede mais “vontade política” para combater a pirataria – mas reconhece ser uma “utopia” querer erradicar o fenómeno.


