Festival vai já na sétima edição

IndieLisboa: o ano do cinema português

25.03.2010 - 09:19 Por Vasco Câmara

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Fantasia Lusitana, de João Canijo, é um dos cinco filmes da competição nacional Fantasia Lusitana, de João Canijo, é um dos cinco filmes da competição nacional (DR)
Diz Rui Pereira, um dos directores/programadores do IndieLisboa, que, a resumir em duas palavras a 7ª edição do IndieLisboa, que se realiza de 22 de Abril a 2 de Maio e que hoje apresenta a sua programação em conferência de imprensa, no Café Magnólia da Avenida de Miguel Bombarda, elas seriam: "Cinema português."

Isto é, "à excepção da edição de 2006, em que um dos heróis independentes foi o realizador Edgar Pêra, este é o ano com mais cinema português" no festival, espalhado pelas várias secções, competitivas e não competitivas.

Então e a crise? "Provavelmente só se vai sentir na próxima edição, porque estes filmes já estavam em produção. Mas diria que, e é isso que esperamos que continue a acontecer, houve mais produtores e realizadores portugueses a apostarem no Indie como primeira oportunidade para os seus filmes", diz ao P2 Rui Pereira. Exemplifica para se perceber onde quer chegar: a Palma de Ouro de Cannes para a curta-metragem, o ano passado, foi para um filme português, Arena, de João Salaviza, que tinha sido exibido primeiro, e premiado, no Indie. Portanto, estrear no Indie não é cortar as possibilidades dos filmes noutros festivais internacionais.

Não é apenas questão de quantidade. O festival teve uma oferta que "permitiu fazer as melhores opções" em termos de títulos e de secções. "Há óptimos filmes portugueses em todas as secções", diz.

Portugal de 40

Há cinco filmes na competição nacional: Fantasia Lusitana, de João Canijo (olhar sobre o Portugal dos anos 40 a partir de material de arquivo), Pelas Sombras, de Catarina Mourão (documentário sobre a artista plástica Lourdes Castro), Traces of a Diary, de Marco Martins e André Príncipe, Sem Companhia Além do Medo, de João Trabulo (rodado numa prisão masculina em Penafiel), e Guerra Civil, de Pedro Caldas, que também concorre na competição internacional. E há 14 curtas no concurso nacional, filmes de Gabriel Abrantes, Ivo Ferreira, Gonçalo Waddington (também na competição internacional de curtas), Sandro Aguilar ou João Figueiras.

Na secção Pulsar do Mundo, que teve a sua edição zero o ano passado e que este ano passa a ser competitiva ("documentários sobre a actualidade, mas gestos cinematográficos, não se resumem a filmes com tema", diz outro dos directores, Nuno Sena), os portugueses são Ilha da Cova da Moura, de Rui Simões ("a normalidade da vida num bairro difícil"), e Tarrafal: Memórias do Campo da Morte Lenta, de Diana Andringa.

Em Sessões Especiais: A Cidade dos Mortos, o documentário que Sérgio Tréfaut filmou no Cairo, As Horas do Douro, de Joana Pontes e António Barreto, Como Desenhar um Círculo Perfeito, outro filme de Marco Martins (desta feita, a sua longa de ficção, que terá no festival a sua antestreia), e Há Tourada na Aldeia, de Pedro Sena Nunes.

No IndieMusic, Tiago Pereira questiona o lugar da tradição na música portuguesa (B Fachada: Tradição Oral Contemporânea e Significado - A Música Portuguesa se Gostasse Dela Própria) e podemos ver, entre outros filmes, uma série de entrevistas/concertos/retratos a partir do palco do MusicBox,com X-Wife, JP Simões, Dealema, entre outros.

Internacional

E há o resto, que é muito e não é o que sobra: é toda a parte internacional do festival, e é toda uma estrutura "que se vai estabilizando".

Doze filmes em competição internacional, de Go Get Some Rosemary, dos americanos Josh e Benny Safdie ou do argentino Castro, de Alejo Moguillansky, até ao croata The Blacks, de Zvonimir Juric e Goran Devic. O Pulsar do Mundo, a tal secção de documentários sobre a actualidade, falar-nos-á de Berlusconi, da imigração, da China e do Capitalismo ou da adopção por casais gay - títulos como Videocracy, de Erik Gandini, Les Arrivants, de Claudine Bories e Patrice Chagnard, Once upon a Time a Proletarian, de Xiaolu Guo, ou Google Baby, de Zippi Brand Frank.

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