David Fonseca

In Colour

11.10.2007 - 11:28 Por Vítor Belanciano, PÚBLICO, Edi. e distri. Universal

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Nos dois anteriores álbuns estava tudo no sítio certo: a música, a imagem, o estilo, o imaginário. Já o escrevemos diversas vezes nestas páginas, a pop feita em Portugal anda a precisar de se desarrumar, não ter medo do ridículo, não ter medo de falhar. Vénia lhe seja feita: ao terceiro álbum, David Fonseca tenta-o.

É verdade que o desalinho de "Dreams In Colour" é apenas parcial. Vai na direcção esperada. É uma desarrumação ponderada. Já há cores, mas às vezes apetecia que fossem mais garridas. Precisava de não ter temor de se dirigir na direcção da grande diferença, porque é nesse processo que se chega à pequena diferença. Aquela que nos transporta para um espaço, justamente, desconhecido e familiar, como a melhor pop é capaz de proporcionar. Mas, ainda assim, louve-se o seu gesto. Porque é, de longe, o seu disco mais solto. Vocalmente, arrisca novas paletas. Sonoramente, pequenos elementos sonoros envolvem a estrutura vital das canções e os arranjos são enriquecidos fazendo subir a temperatura dos temas. Em termos de ambiente global respiram euforia, como se tivesse aberto as janelas para deixar entrar a Primavera, abandonando por um momento as cores cinzentas para se rodear do arco-íris. Ao mesmo tempo assume influências – a mais nítida, ao nível dos pormenores, em alguns arranjos e na construção das canções é dos Arcade Fire –, porque essa é a forma de as superar. Poder-se-á sempre dizer que, na maior parte das canções, fica-se com a sensação que poderia ter ido mais longe. É verdade. Mas também é certo que David Fonseca tem razão quando diz que esse espaço de crescimento está guardado para o palco. É aí que este álbum se vai decidir. Podemos enganar-nos, mas este é daquelas obras que tão depressa não abandonará o espaço público, tal o número de pontas soltas que guarda dentro de si ("4th chance", "Kiss me, oh kiss me", "Silent void", "This raging light" ou a versão de "Rocket man" de Elton John), com faculdades de se transformarem em cânticos ao vivo, para depois serem lembrados, através deste disco.

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