Imprensa internacional destaca humanismo do escritor e lirismo da obra

18.06.2010 - 16:33 Por PÚBLICO
José Saramago “foi poeta antes de romancista de êxito e antes de poeta, foi pobre”, escreve o jornal espanhol “El Pais”, na manchete da sua edição online em que destaca uma fotografia a toda a largura de página de Saramago. Com menos destaque, outros jornais como o "Le Monde" em França ou o "New York Times" também lembram a figura e a obra do escritor.
O "El Pais" nota ainda que é juntando o jornalismo a esses três outros factores – pobreza, poesia e romance – que se entenderá a fusão entre preocupação social e exigência estética que marcaram a obra do único Prémio Nobel de Língua Portuguesa, até hoje.
O “New York Times” descreve o escritor como “um homem alto, imponentemente austero e com modos secos e professorais, que ganhou notoriedade internacional com a publicação de “O Memorial do Convento” e “Ensaio sobre a Cegueira”.
O jornal recorda as palavras do crítico Irving Howe que descreveu a obra de Saramago como resultando numa união feliz entre “o realismo severo” e “a fantasia lírica” e o escritor como “um voz do cepticismo europeu e um conhecedor de ironias”. “Penso que oiço na sua prosa ecos da sensibilidade do Iluminismo, cáustica e astuta”, notou o crítico citado pelo “New York Times”.
O vespertino "Le Monde" lembra a ruptura com o Governo português e a ida para as Canárias, depois da publicação em 1991 de “O Evangelho Segundo Jesus-Cristo” no qual retrata a virgindade de Jesus Cristo utilizada por Deus para estender o seu domínio no mundo.
E o italiano "Corrierre de la Serra" refere o lado “profundamente impregnado de humanismo” de Saramago, inventor de uma “prosa única” feita de “um contínuo diálogo interior”. O jornal lembra a característica da prosa sem pontuação em que a narrativa flui “contínua, numa massa harmónica de palavras”.


