• Saber ao certo e dizer aos outros
  • Disney recruta em Portugal tripulação para os seus cruzeiros
  • No cinema a guerra não entra, mas faz estragos

Aproxima-se o anúncio das bolsas internacionais Inov-Art

Houve mais de três mil candidatos a bolsas para as artes mas a selecção motiva críticas

23.03.2010 - 10:06 Por Sérgio C. Andrade

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
O Design tem 21 por cento das 2337 candidaturas aceites pela DGArtes O Design tem 21 por cento das 2337 candidaturas aceites pela DGArtes (DR)
O programa Inov-Art reuniu 3169 candidaturas, das quais 2337 foram consideradas elegíveis para as 200 vagas existentes para as bolsas de inserção profissional de artistas e criadores em 705 entidades de acolhimento distribuídos por 45 países em todo o mundo.

Estes são os números de partida da 2.ª edição deste programa lançado no ano passado pelo Ministério da Cultura, através da Direcção-Geral das Artes (DGArtes), mas o modo como o processo de selecção tem decorrido está a motivar protestos e acusações de "falta de transparência" por parte de concorrentes excluídos.

Num documento a que o PÚBLICO teve acesso, alguns dos candidatos que ficaram pelo caminho contestam que a DGArtes tenha delegado numa empresa de recursos humanos, a We Change, a primeira parte da selecção dos concorrentes. Catarina Botelho, artista plástica, e Maria do Mar Fazenda, crítica de arte e curadora independente, são duas das candidatas excluídas que contestam o processo. Em primeiro lugar, dizem, porque "70 por cento dos candidatos" foram eliminados "após a realização de provas linguísticas e em testes de competências pessoais e sociais de duvidosa idoneidade", e sem que os seus currículos e competências profissionais e artísticas fossem efectivamente analisados.

Os dois primeiros testes a que os candidatos foram sujeitos diziam respeito ao domínio de idiomas e às referidas "competências sociais e pessoais" - e terão funcionado como primeiro e o mais radical crivo dos concorrentes. Nesses inquéritos, eram colocadas questões do género: "Devemos honrar os heróis do passado?", ou "Prefere deixar um trabalho muito bem feito até ao fim ou, eventualmente, deixar menos bem mas fazer um amigo novo?"...

Outra crítica ao processo diz respeito à ausência da publicação, primeiro, das quotas e dos critérios das provas iniciais, e, depois, das listas de candidatos e de seleccionados e respectivos resultados em cada etapa do processo, algo que tanto Catarina Botelho como Maria do Mar Fazenda consideram indispensável à transparência das escolhas.

Estas duas e outros candidatos excluídos escreveram à DGArtes a pedir explicações para o processo seguido, mas receberam respostas que consideraram "insatisfatórias" e standard. "Não está em causa eu ter sido excluída, ou o mérito daqueles que passaram às fases seguintes", nota Catarina Botelho, que lamenta que a sua e muitas outras candidaturas tenham sido excluídas sem que a DGArtes tenha efectivamente apreciado os respectivos currículos e competências profissionais e artísticos.

O PÚBLICO endereçou ontem à tarde ao director-geral da Artes uma série de questões levantadas sobre a metodologia seguida na selecção dos bolseiros do Inov-Art. Jorge Barreto Xavier mostrou-se disponível para esclarecer todas as perguntas, mas considerou não ter condições para enviar as respostas pedidas até ao fecho desta edição.

O programa Inov-Art está na fase final de selecção dos bolseiros, cuja lista deverá ser anunciada até ao dia 29 de Março. No fim de Abril, tem lugar o seminário de abertura, decorrendo os estágios entre 1 de Maio e 31 de Janeiro de 2011.

Estatísticas

  • 15 leitores
  • 19 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1428946

Comentário + votado

Reclamar por orgulho ferido

Fui candidato ao Inov-Contacto na edição do ano anterior e foi a WeChange a empresa ...

Anónimo

24.03.2010 23:21

X

Mais em Cultura (2 de 13 artigos)

Chris Evans vai ser o Capitão América no cinema