Nuno Teotónio Pereira, um dos mais destacados arquitectos portugueses, cujo percurso foi marcado também pela constante luta cívica, foi ontem homenageado na sede da Ordem dos Arquitectos, em Lisboa.
A cerimónia, com início às 19h, e seguida da projecção de Nuno Teotónio Pereira - Um Homem na Cidade, documentário de Joana Cunha Ferreira, sobrelotou um auditório que tem, desde ontem, o nome do homenageado.
Ana Tostões, vice-presidente da Ordem dos Arquitectos, sintetizou a sua admiração declarando que, perante a obra de Teotónio Pereira, "a nossa responsabilidade é imensa". "Nossa", subentendeu-se, não só de todos os arquitectos presentes como de todos os cidadãos.
Teotónio Pereira, de 88 anos, foi distinguido por um contributo inestimável à arquitectura portuguesa, exemplificado em trabalhos como Habitação Social para Olivais Norte, co-assinada com Nuno Portas e Pinto de Freitas, o edifício "Franjinhas", na Rua Braancamp, ou a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, todos Prémio Valmor. Mas na sua obra distingue-se também, assinalou João Belo Rodeia, presidente da Ordem, a luta "por uma sociedade mais justa e digna" que o levou várias vezes à prisão durante a ditadura.
Teotónio Pereira respondeu aos elogios com humildade: "Não esperava uma consagração deste tipo, porque sempre vi com naturalidade um desempenho profissional que contribuísse para melhorar a sociedade e a vida das pessoas", afirmou. Quase no fim do discurso, diria: "Tenho muito orgulho em não ser o único autor de algumas obras aqui elogiadas", dividindo o sucesso do seu percurso com companheiros como Bartolomeu Sousa Cabral, Manuel da Costa Matos ou Nuno Portas.
O auditório aplaudiu de pé o exemplo de que nasce a "responsabilidade imensa".


