História da tipografia portuguesa recordada num núcleo museológico em Leiria

18.03.2007 - 15:43 Por Lusa
Um núcleo do Museu Nacional de Imprensa vai ser instalado em Leiria para recordar a história da tipografia portuguesa e as primeiras edições feitas em Portugal. Este será o segundo núcleo do género, depois do criado em Celorico de Basto.
"Leiria é um marco da história da tipografia em Portugal e propusemos a criação de um núcleo aqui, que foi aceite pela câmara", afirmou Luís Humberto Marcos, director do Museu Nacional de Imprensa.
Em 1495, as cidades de Leiria e Faro foram as primeiras do país dotadas de tipografias, pelo que Luís Humberto Marcos quer criar núcleos espalhados pelo país para criar um "roteiro cultural" sobre esta face da história portuguesa. "Portugal tem um dos maiores patrimónios em artes gráficas que tem de ser valorizado", sustentou o director do museu, salientando que a escolha de Leiria também se deve ao facto da cidade ter tido o primeiro moinho de papel do país.
A autarquia local está a restaurar o moinho de papel, criando também um núcleo museológico, que o Museu de Imprensa quer completar com um espaço próprio de exposições. "Em Leiria, há ainda muito equipamento tradicional de impressão que pode ser recuperado e posto em exibição", afirmou Luís Humberto Marcos.
Há seis anos, o Museu Nacional da Imprensa criou o seu primeiro núcleo em Celorico de Basto, estando também prevista a abertura de espaços semelhantes em Arcos de Valdevez, Açores e Madeira.
No caso de Leiria, a tipografia foi promovida pelo judeu sefardita Abraão Zacuto, um catedrático de astronomia da Universidade de Salamanca que foi consultor da corte de D. João II e D. Manuel.
Um dos seus livros mais célebres foi o “Almanach Perpetuum”, que para alguns estudiosos é uma das primeiras obras escritas em português, já que a maior parte das impressões até à data era em latim ou hebraico.
Para Vítor Lourenço, vereador da Cultura da Câmara de Leiria, a criação de um núcleo do museu de imprensa é "muito bem-vinda" até porque "completa o trabalho de musealização do moinho de papel".
O museu do moinho de papel, nas margens do rio Lis, deverá ser inaugurado dentro de alguns meses depois de uma intervenção profunda no espaço, no âmbito do Programa Polis.

