João Pedro Rodrigues participa com "Morrer como Um Homem" na secção Un Certain Regard, Pedro Costa e João Nicolau estão na Quinzena dos Realizadores – com "Ne Change Rien", documentário sobre a actriz e cantora francesa Jeanne Balibar), a nova curta “Canção de Amor e Saúde”, respectivamente. Há uma parte do próximo Festival de Cannes que fala português.
Mas vamos ganhar distância: há sobretudo muitos europeus e muitos asiáticos a competir na 62ª edição do festival, que decorre de 13 a 24 de Maio: Pedro Almodóvar ("Los Abrazos Rotos"), Michael Haneke ("Das Weisse Band"), Ken Loach ("Looking for Eric"), Gaspar Noé ("Enter the Void", um filme de terror que tem algumas hipóteses de estar à altura do “caso” que foi outro filme do realizador, "Irreversível"), Park Chan-wook ("Thirst", Alain Resnais ("Les Herbes Folles"), Elia Suleiman ("The Time that Remains"), Johnnie To ("Vengeance"), Tsai Ming-liang ("Visage") e Lars von Trier ("Antichrist").
Num ano em que Cannes olha para o oriente – o próximo e o extremo, se tivermos em atenção que a neozelandesa Jane Campion, com "Bright Star", e o filipino Brillante Mendoza, com "Kinatay", também entram nestas contas –, a América tem uma participação menos volumosa, mas não necessariamente secundária, na competição principal.
Cannes queria ter, e teve, o novo de Quentin Tarantino (Palma de Ouro em 1994 com "Pulp Fiction"), "Inglorius Basterds", e o novo de Ang Lee, "Taking Woodstock". E, já fora de competição, há "Drag me to Hell", de Sam Raimi – sessão à meia-noite, tal como previa a "Variety", que acertou em quase tudo menos em "Tetro", de Francis Ford Coppola, e "Bad Lieutenant", de Werner Herzog. Nenhum dos dois consta do programa hoje anunciado em conferência de imprensa.
Nova animação da Pixar na abertura
O festival abre com "Up", a nova animação da Pixar, e fecha com o duplo "biopic" "Coco Chanel & Igor Stravinsky", de Jan Kounen. Ainda em competição, ombro a ombro com Almodóvar, Tarantino e Resnais, estarão a americana Andrea Arnold, com "Fish Tank", os frances Jacques Audiard, com "Un Prophète", e Xavier Giannoli, com "À l’Origine", o italiano Marco Bellocchio, com "Vincere", a catalã Isabel Coixet, com "Map of the Sounds of Tokyo", e o chinês Lou Ye, com "Spring Fever".
Na secção Un Certain Regard, Cannes continua a olhar para Oriente – “A nova geração de cineastas do Leste e do Extremo Oriente não tem forma, leis ou tradições para obedecer (...). Nunca tem falta de ideias visuais”, escreveu o director Thierry Fremaux no programa desta edição. Há filmes do sul-coreano Bong Joon-ho, do iraniano Bagman Ghobadi, dos romenos Hanno Höfer, Razvan Marculescu, Cristina Mungiu, Constantin Popescu, Ioana Uricaru e Corneliu Porumboiu, dos russos Nikolay Khomeriki e Pavel Lounguine, do japonês Hirozaku Kore-Eda, do tailandês Pen-Ek Ratanaruang e do israelita Haim Tabakman, entre outros.
Fora de competição, mas ainda dentro do “ranking” das novidades mais aguardadas da próxima edição: Alejandro Amenábar ("Agora"), Terry Gilliam ("The Imaginarium of Doctor Parnassus"), Robert Guédiguian ("L’Armée du Crime") e Michel Gondry ("L’Épine dans le Coeur").
Notícia substituída às 15h56


