Guimarães tem o cineclube do país que regista o maior número de espectadores, tendo sido frequentado, em 2008, por 5555 pessoas. Um número 66 por cento inferior ao de 2007, que foi de 8450, mas que mantém o Cineclube de Guimarães na frente em termos de bilheteira. Estes dados constam de um estudo do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) a que o PÚBLICO teve acesso.
O segundo cineclube mais frequentado foi o ABC - Cineclube de Lisboa, com 5344 espectadores. Já o Cineclube de Aveiro, apesar de ter perdido 38,7 por cento dos espectadores (3118 em 2008 contra 4325 em 2007) é o que mais sessões promove anualmente, um total de 229, seguido do Cineclube de Tavira, com 156 sessões anuais.
No que se refere à origem dos filmes exibidos na rede de cineclubes, em 2008, 21 por cento tiveram origem na Europa, 21 por cento nos Estados Unidos e 16 por cento em Portugal. As co-produções europeias representaram 14 por cento dos filmes projectados, as produções Estados Unidos/Europa 12 por cento, Estados Unidos/outros países sete por cento e Europa/outros países seis por cento.
Das 19 associações/cineclubes consideradas no estudo, nove apresentaram perdas de espectadores e dez conquistaram mais público, tendo a Associação Cultural e Recreativa de Tondela, em Viseu, obtido o maior aumento, 370 por cento (385 espectadores em 2007, contra 1430 em 2008), seguida do Cineclube de Avanca, com um crescimento de 200 por cento. O Cineclube da Universidade de Évora, que perdeu 72 por cento, apresentou a queda mais acentuada no número de espectadores, seguido do Cineclube de Guimarães.
Segundo a Federação Portuguesa de Cineclubes (FPC), actualmente existem 30 cineclubes federados e, desde Novembro de 2008, nasceram mais dois, um em Angra do Heroísmo, nos Açores, e outro em Tomar. O Cineclube de Santarém está a ser reactivado. De acordo com a presidente da FPC, Rita Freitas, "os cineclubes têm vindo a ganhar força junto das populações". "Fora dos grandes centros urbanos, não há oferta alternativa ao cinema americano, a não ser o cinema exibido pelos cineclubes. O público tem vindo a aumentar. Não achamos que os cineclubes portugueses estejam a morrer", refere.
Nas últimas décadas, o cineclubismo tem-se afirmado como uma alternativa à programação das salas dos grandes centros comerciais, promovendo a divulgação de uma cinematografia menos convencional. "É uma oportunidade de ver cinema de uma forma diferente e de entendê-lo de um ponto de vista menos comercial e mais académico", acrescenta Rita Freitas.
Um grupo de investigadores do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra que estuda a história do cineclubismo em Portugal criou um blogue em que procura reunir e disponibilizar dados e documentos sobre a história deste movimento no país e no mundo. Segundo Paulo Granja, um dos coordenadores do projecto, o objectivo também é "tentar chegar a pessoas mais velhas que tenham participado na construção dos cineclubes em Portugal, de forma a reconstruir a sua história". É que muitas destas associações, sublinha o investigador, não possuem documentação. Ou perderam a que tinham, sobretudo durante o regime do Estado Novo.
Notícia corrigida às 15h44 de dia 26 de Fevereiro



