Governo deverá demitir direcção do teatro nacional e nomear Diogo Infante

08.07.2008 - 10:50 Por Isabel Coutinho, Maria José Oliveira
O Ministério da Cultura (MC) prepara-se para demitir o conselho de administração (CA) e a direcção artística do Teatro Nacional Dona Maria II (TNDMII), presididos por Carlos Fragateiro. O nome de Diogo Infante, que pediu a exoneração da direcção do Teatro Maria Matos na passada semana, foi já veiculado pela imprensa como o futuro director do teatro nacional. Infante não presta declarações sobre o assunto.
Contactado pelo PÚBLICO, o MC, pela voz do assessor de imprensa Rui Peças, também não quis fazer comentários sobre a notícia do alegado convite ao actor e encenador, nem confirmou a demissão da administração do D. Maria II. Apenas disse ter recebido e aceitado o pedido de demissão de José Manuel Castanheira, vogal do CA.
Carlos Fragateiro manteve-se, até ontem à noite, indisponível para falar sobre o tema. Até ao fim do dia de ontem, a direcção do teatro não recebeu qualquer comunicado oficial desmentindo a notícia do eventual convite feito a Infante.
Escolhido pela ex-ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, para dirigir o D. Maria II, Fragateiro iniciou funções em 2006. Quando o teatro foi convertido em entidade pública empresarial, em 2007, toda a administração foi reconduzida, tendo sido firmado um contrato de três anos. Fragateiro está, por isso, longe de terminar o seu contrato.
Em alguns círculos socialistas, a demissão em bloco da administração do D. Maria II é dada como certa para esta semana. Até porque Diogo Infante terá mesmo invocado o convite do MC para justificar, na reunião que teve com o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, com a vereadora da Cultura, Rosalia Vargas, e com o presidente da EGEAC (Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural), Miguel Honrado, o seu pedido de demissão do Maria Matos. Aliás, na nota que a EGEAC divulgou no mesmo dia, pode ler-se que Infante explicou que queria sair do teatro municipal por "motivos profissionais, nomeadamente a disponibilidade para eventual aceitação de outros compromissos".
Na mesma nota, lia-se ainda que o actor se comprometeu a assegurar a direcção do Maria Matos até ao final de Setembro. As explicações da EGEAC divergiam daquelas que foram dadas pelo próprio encenador. Que, num comunicado à imprensa, invocou que a redução do orçamento do teatro impedia a continuidade do seu "projecto artístico".
Teatro desconhece
A decisão de demitir a administração do D. Maria II (agora composta por Fragateiro e Amadeu Basto de Lima) terá sido precipitada pela saída de José Manuel Castanheira, que entregou o seu pedido de demissão à tutela a 5 de Maio. Esta cessação de funções teve efeito a partir de 30 de Junho. Contudo, a direcção do D. Maria II continua a afirmar que não recebeu até agora qualquer comunicação oficial sobre esta saída.
Ao PÚBLICO, Castanheira disse que "há mais de ano e meio" que vinha "lutando contra um projecto artístico" com o qual não se identificava. E remeteu os fundamentos da sua decisão para o ministro da Cultura. O assessor de Pinto Ribeiro afirmou que o governante "dará essas explicações brevemente e oportunamente".
Quando foi convidado para o D. Maria II, Castanheira estava a trabalhar em Itália e afirma que foi seduzido por "um projecto com contornos artísticos balizados" em que pensou que "era possível" dar o seu contributo. "Fui convidado para colaborar num trabalho de programação artística e nos primeiros meses isso aconteceu. Mas em pouco tempo acabou por se perceber que havia um director artístico e, a pouco e pouco, tentaram relegar-me para um papel puramente administrativo esvaziado de qualquer intervenção na área artística", afirmou ao PÚBLICO.

