Rui Reininho ainda se lembra das festas de S. João em que havia matraquilhos na Praça de Mouzinho de Albuquerque - que agora está fora do circuito tradicional - e em que fazer concertos era uma ideia extravagante. "Era quase como a noite de Natal, um fiasco garantido. Felizmente, as coisas mudaram muito e as casas de referência abriram-se à cidade", assinalou o músico, em conversa com jornalistas.
Na Casa da Música (CdM), noite de S. João é noite de concertos gratuitos, e este ano também de estreia para os GNR. Porém, para o vocalista, o facto não é absoluto, porque a banda vai ficar "à porta", no palco montado na praça. "Daqui a um ano, podemos estrear-nos outra vez", gracejou. O duplo concerto de hoje - Orquestra Nacional do Porto (ONP) às 22h, GNR depois das 24h - assinala igualmente o início da programação de Verão da CdM, que se estende até 2 de Agosto, e em que participam nomes como Chico Pinheiro e Brad Mehldau, Konono n.º 1 ou Mário Laginha e Bernardo Sassetti.
O ambiente é de festa e por isso não são de esperar grandes novidades no alinhamento a apresentar pela banda. "As pessoas gostam de ouvir o que conhecem. Vamos abordar o nosso percurso desde o início até agora", assegurou Toli César Machado, o fundador sobrevivente do trio. No final do espectáculo, nem é de estranhar que encontremos Rui Reininho e os seus comparsas a gozar a noite: "Com a minha provecta idade, lembro-me de ser uma noite solesticial. É uma noite libertária, para fugir à família, fazer a primeira directa. Para nós só é pior porque nos fartamos de levar no coco."
Antes dos GNR, a ONP apresenta um programa festivo e acessível, que inclui composições de Dimitri Chostakovitch (Galope de hipoteticamente assassinado), Eduard Strauss (polkas Bahn frei e Ohne Bremse) e Maurice Ravel (Une barque sur l'ocean). O elemento agregador é que todas se referem a meios de transporte.
À meia-noite, há fogo-de-artifício "simbólico": "Estamos em tempo de crise, não de gastar dinheiro. Mas acho que esta noite sem um cheirinho de fogo-de-artifício seria decepcionante", diz o director artístico da CdM. Pela noite fora, a música (gravada) vai continuar a sair das colunas e os bares vão manter-se abertos.


