As ilhas Galápagos, no Equador, já não integram a lista dos locais em perigo da UNESCO. O organismo das Nações Unidas anunciou ontem à noite, em Brasília onde se encontra reunida a Comissão do Património Mundial da Unesco, que as ameaças colocadas pelo turismo excessivo foram debeladas pelos esforços do governo equatoriano.
O pedido de saída das Galápagos da lista de “bens em perigo” da UNESCO partiu do Brasil, cujo presidente do Instituto Brasileiro do Património, Luiz Fernando de Almeida, argumentou que “é importante reconhecer os esforços realizados pelo governo equatoriano para proteger e preservar o seu património”, como se lê numa nota enviada pelo mesmo, citada pela AFP.
"A Unesco analisou [o pedido] com profundidade e tivemos que votar, mas a maioria foi a favor da retirada da ilha equatoriana de sua condição de património ameaçado", declarou o ministro da Cultura brasileiro, Juca Ferreira, que preside à reunião da Comissão, ao anunciar a decisão do organismo da ONU para a educação, ciência e cultura.
A comissão votou com 14 votos a favor, cinco contra e uma abstenção. As Galápagos, 58 ilhas no Pacífico a mil quilómetros do litoral do Equador e para sempre associadas à investigação de Darwin sobre a selecção natural e à sua visita 1835, estavam desde 2007 nesta lista, depois de terem sido o primeiro local do mundo a integrar a Lista de Património Mundial da UNESCO, em 1978.
Reunida desde segunda-feira em Brasília, a Comissão está a avaliar a sua lista de locais e bens classificados como Património Mundial e toma esta decisão três anos depois de ter dado o alerta sobre os efeitos do turismo e problemas ambientais e sociais do arquipélago. O encontro termina dia 3 e conta com cerca de 800 participantes de 187 países, entre os quais Portugal. Há 41 novas candidaturas de sítios para integrar a Lista de Bens do Património Mundial. Entre eles, estão os locais dos icnofósseis de dinossauros da Península Ibérica e a zona de arte rupestre de Siega Verde enquanto extensão do Vale do Côa, também em Portugal e Espanha. A lista actual integra 890 locais de interesse cultural, natural ou ambos, situados em 148 países.



