As redes sociais, em especial o Facebook, tornaram-se num verdadeiro livro de reclamações. Desta vez é a gigante FNAC que se vê envolvida numa polémica, que despertou uma sucessão viral de comentários e partilhas naquela rede social, depois de ter lançado uma campanha promocional que não agradou aos clientes e, que por isso, já foi alterada.
A fotografia partilhada é sempre a mesma e mostra um expositor de uma loja FNAC com o anúncio em destaque. Com o lema “A Cultura Renova-se”, a campanha da FNAC promove a entrega de livros, CD ou DVD usados, oferecendo um vale de cinco euros para descontar em compras de valor igual ou superior a 15 euros. Todo o material recolhido tem como destino a AMI. Até aqui tudo bem, não fosse o exemplo usado na campanha: “Troque ‘Os Maias’ por Meyer”.
O trocadilho e os dois livros em questão, em especial a forma como a loja apela à troca de obras como o romance “Os Maias”, de Eça de Queirós, por uma história de amor entre vampiros e humanos, são a principal reclamação que se tem multiplicado de várias formas pelo Facebook. Há quem fale em desvalorização do autor português e acuse a cadeia francesa de desrespeitar a cultura portuguesa, mas há outros que entendem a ideia, aplaudem a campanha, mas consideram a promoção uma piada de mau gosto. “Comunicação infeliz”, lê-se em muitos dos comentários.
Não ignorando a polémica, a empresa já veio explicar publicamente a escolha campanha, defendendo que “a ideia assenta num aproveitamento das semelhanças fonéticas dos títulos das várias obras emblemáticas, com um tom humorístico mas sem qualquer intenção de juízo de valor e sem nunca pretender desvalorizar as obras citadas”.
O trocadilho entende-se mas não foi suficiente para impedir que as as centenas de críticas enchessem a página da FNAC nas últimas horas e por isso a loja decidiu retirar os polémicos exemplos, face às reacções negativas provocadas.
Em comunicado, a FNAC Portugal explica que a campanha de trocas “tem como objectivo incentivar o interesse do público em geral por novos produtos e conteúdos culturais nas áreas da música, dos filmes e dos livros”, daí que tenham optado por opor obras antigas com outras mais recentes.
A ideia é, continua o comunicado, “mobilizar as pessoas para um gesto solidário que oferece, simultaneamente, uma mais-valia promocional em que todos os livros, mas também filmes e álbuns de música que as pessoas têm em casa e que já leram, viram e ouviram possam ser reutilizados ao serem oferecidos a quem, provavelmente, nunca teve a oportunidade de contactar com essas mesmas obras clássicas, das várias áreas da cultura”.


