Os criadores Filipe Faísca e Nuno Gama regressam, e o show-room para venda directa também, mas a dupla de criadores Storytailors e a marca Lion of Porches saem. Estas são as novidades óbvias da 27ª edição da ModaLisboa, que começa hoje.
As outras novidades - a roupa que vamos vestir a partir da Primavera - só vamos começar a saber às 18h, quando se inicia a maratona de quatro dias de desfiles no Museu da Electricidade.
Até domingo, 22 criadores e uma única marca - a Lanidor - vão mostrar as colecções. Há um convidado estrangeiro, a brasileira Glória Coelho, que vem à conquista do mercado português.
Mas a primeira conquista a fazer, diz a directora da ModaLisboa, Eduarda Abbondanza, é os portugueses venderem as suas roupas em Portugal. "No panorama da moda internacional os criadores têm investidores. Em Portugal o investimento em design de moda é quase inexistente."
É nesta linha que, pela primeira vez em anos, a ModaLisboa volta a ter um show-room, um espaço onde os comerciantes podem ver todas as peças das novas colecções, e comprar logo ali. Mas dos 22 designers, só cinco vão usar esta plataforma de negócio: Alexandra Moura, Anabela Baldaque, Filipe Faísca, Nuno Gama e a brasileira Glória Coelho. "São os que estão preparados para dar resposta a qualquer pedido de compra que surja", diz Abbondanza. Têm que fazer um pagamento simbólico, explica a directora veterana. "A história do grátis, grátis, grátis permite que todos estejam presentes mas ninguém rentabiliza." Houve casos, conta, em que os comerciantes quiseram comprar, mas os criadores não tinham capacidade de resposta para as encomendas.
Cancelamento inesperado
Ontem, no final da tarde, um comunicado da ModaLisboa informava que a Lion of Porches cancelara o desfile previsto. "Houve uma série de factores que levaram a administração a decidir que não estavam reunidas as condições para fazer um desfile com dignidade", contou a responsável pela comunicação da marca, Cristina Coelho. Um dos factores para o inesperado cancelamento foi a saída, em Agosto, do criador que estava com a marca há mais de cinco anos, Júlio Torcato, autor da colecção que a Lion of Porches iria mostrar nesta ModaLisboa (a mesma apresentada este ano na Turquia e no Algarve).
"Foi irrecusável", disse ontem Torcato, que assumiu a direcção criativa de outra marca portuguesa, a Salsa. A Lion of Porches já tem um novo criador, Fernando Nunes (ex-Helvética).
A ausência da dupla Storytailors - que surgiu na passerelle Sangue Novo (para jovens emergentes e ausente da ModaLisboa desde 2003) e se tem destacado na moda nacional e internacional - "tem a ver com regras que têm de ser cumpridas e que a dupla quebrou mais do que uma vez", diz Abbondanza.
A directora da ModaLisboa observa que a Storytailors foi excluída desta edição por demorarem sempre demasiado tempo na maquilhagem dos modelos, "provocando um caos de desorganização nos bastidores", onde só existe uma equipa de maquilhadores e outra de produção.
Abbondanza, porém, desdramatiza: "Já aconteceu no passado com o Osvaldo Martins e com outros criadores que fizeram alguns momentos de pausa para se organizarem. Não é nada pessoal."
João Branco e Luís Sanches, da dupla Storytailores, reagiram com estupefacção, mas preferiram não comentar. "Esta é uma questão a ser resolvida entre a Associação ModaLisboa e os Storytailores", disse Branco.
Performances de moda
É Dino Alves quem abre a maratona de desfiles, e dele espera-se uma performance digna do nome que conquistou no mundo da moda: enfant terrible. Logo de seguida é o regresso de Filipe Faísca, que nos anos 80 foi dos jovens mais irreverentes e que participou na edição experimental da ModaLisboa, em 1989. Já tinha recusado vários convites para regressar: "Não estava preparado para o investimento. É caríssimo. Montar uma colecção pode custar mais de 20 mil euros; são os materiais, as horas de trabalho." Mas finalmente aceitou. "Quero pôr em cena o trabalho que se faz neste atelier, onde a peça única é cada vez mais importante."



