Ainda que a 99ª edição tenha começado, no domingo, com uma nova encenação de Lohengrin, o Festival Richard Wagner de Bayreuth, exclusivamente dedicado a celebrar a obra do grande compositor alemão (1813-1883), está a viver um período de transição. Parece estar ainda a fazer o luto pelo desaparecimento de Wolfgang Wagner, o neto do compositor, que dirigiu o festival com mão de ferro durante 57 anos, e que morreu no passado dia 21 de Março, com 90 anos.
A abertura “será ainda marcada pela emoção, porque o nosso pai faz-nos muita falta”, comentavam à AFP, antes do início do festival, as duas filhas de Wolfgang, Eva Wagner-Pasquier, de 65 anos, e Katharina Wagner, 32 anos, que desde o ano passado codirigem Bayreuth, após um conturbado processo de sucessão em que cada uma delas não queria ceder o poder à outra.
À parte esta circunstância, o espectáculo de abertura mobilizou a atenção de sempre no palácio do festival localizado na Colina Verde naquela cidade no norte da Baviera. Os bilhetes estavam esgotados há meses – a lotação de pouco menos de dois mil lugares do teatro só contempla um décimo da procura anual de ingressos para as trinta récitas do programa –; na estreia compareceu a chanceler Ângela Merkel, acompanhada por vários ministros do seu gabinete; e um misto de palmas e assobios foi dispensado à iconoclasta encenação proposta pelo alemão Hand Neuenfels, de 69 anos, que com o maestro da Letónia Andris Nelsons, 31 anos e actual director artístico da Orquestra Sinfónica de Birmingham, se estreava no palco de Bayreuth.
À frente do elenco de cantores de Lohengrin estava outro estreante no festival, Jonas Kaufmann, 41 anos, e uma vedeta do bel canto na Alemanha, cuja actuação, diz a AFP, teve uma recepção vibrante por parte da plateia, não chegando, contudo, para conquistar a unanimidade no final.
Esta encenação de Lohengrin – em que Hand Neuenfels colocou em palco vários personagens vestidos de ratos brancos correndo dentro de um laboratório asséptico – é a principal aposta do programa deste ano de Bayreuth. Esta ópera voltará ao palco no dia 3 de Agosto, mas até ao dia 28 (o festival decorre sempre entre 25 de Julho e 28 de Agosto) regressarão encenações de outras óperas de Wagner já estreadas em edições anteriores. É o caso da tetralogia O Anel do Nibelungo, que voltará na versão criada, em 2006, por Tankred Dorst; Os Mestres Cantores de Nuremberga, a polémica encenação que Katharina Wagner apresentou em 2007; e de Parsifal, que em 2008 foi montada pelo norueguês Stefan Herheim.
Mas há já novidades anunciadas para a 100ª edição: entre elas avulta uma nova produção de Tannhäuser, assinada pelo alemão Thomas Hengelbrock.



