Pergunta-se “O que é que destaca do programa?” e João Pedro Mendes dos Santos, director artístico do 35.º Festival Internacional de Música de Espinho (FIME), que começa esta sexta-feira, ri-se: “tenho alguma dificuldade em destacar alguma coisa”. De seguida, desfia quase todos os 11 concertos do programa de grande “pluralidade e diversidade” que se prolonga até 30 de Julho, no Auditório de Espinho.
O FIME começa amanhã, às 22h00, com o português Artur Pizarro, um “grande pianista em qualquer parte do mundo”, no entender de Mendes dos Santos, numa dupla função (pianista e maestro, a dirigir a Orquestra Gulbelkian), com repertório de Bach.
No dia 9 de Julho, um quarteto encabeçado pelo acordeonista Richard Galliano mostra a mistura de raízes italianas, mediterrânicas, jazz, canção francesa e música clássica deste “herdeiro e sucessor” de Astor Piazzolla, com quem colaborou.
Fazil Say é um caso raro, já que “não é muito vulgar haver pianistas turcos”, e promete, no dia 11, um momento também pouco habitual – interpretará a sonata “1905” de Janáček, raras vezes tocada.
O festival prossegue até ao fim do mês com concertos dos King’s Singers, grupo vocal que visita desde canções da Renascença até à música pop, do Quarteto Talich, um dos melhores quartetos de cordas do mundo, de Philippe Bernold, estrela do panorama da flauta transversal, e da russa Natalia Gutman (a “grande violoncelista do momento”, diz Mendes dos Santos), entre outros.
Salto qualitativo
A filosofia recente do festival tem passado por “uma diversificação dos instrumentos” e pela aposta no jazz e em “intérpretes de grande qualidade”, refere João Pedro Mendes dos Santos.
Com a abertura do novo Auditório de Espinho, com capacidade para 280 lugares, com programação regular desde o início de 2007, e a “renovação da equipa” que o pensa e produz, o FIME deu um salto qualitativo, diz o programador, há três anos ligado ao festival. “O festival tem melhorado nos últimos anos, mas desde há sete anos que já era notória [a evolução]”, vinca.
Para o programador, o FIME, ao lado, por exemplo, do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim (cuja 34.ª edição acontece de 10 a 31 de Julho), é um dos mais “interessantes” festivais portugueses de música erudita.
Os bilhetes normais para todos os concertos custam sete euros. O 35º FIME tem o apoio da Câmara de Espinho (50 mil euros, o mesmo que em 2008) e da Direcção-Geral das Artes, organismo do Ministério da Cultura, cuja comparticipação cresceu de 70 mil euros no ano passado para 75.600 euros (uma parte deste valor vai para o apoio da programação anual da Orquestra Clássica de Espinho, que actua duas vezes nesta edição do festival).
Programa completo
3 de Julho - Artur Pizarro (piano e direcção da Orquestra Gulbelkian)
9 de Julho - Richard Galliano Quarteto
11 de Julho - Fazil Say
12 de Julho - The King’s Singers
13 de Julho - Vana Gierig e Paquito D’Rivera
17 de Julho - Quarteto Talich e Alexander Ghindin
18 de Julho - Ilya Gringolts (solo e com a Orquestra Clássica de Espinho)
24 de Julho - Cantar Lontano
25 de Julho - Philippe Bernold (como instrumentista e maestro do FIMEnsemble)
27 de Julho - Natalia Gutman (duo e trio)
30 de Julho - Elisso Virsaladze e Orquestra Clássica de Espinho



