De hoje até sábado, serão 60 bandas e DJ, divididos por três palcos, a debitar música no Passeio Marítimo de Algés, às portas de Lisboa. O cardápio é desequilibrado, falta-lhe consistência, uma ideia aglutinadora, identidade - características que se estendem aos restantes festivais portugueses este ano. Mas nada que vá impedir milhares de pessoas de se reunirem à volta da música, como acontece nesta época de Verão em todo o mundo.
Hoje a grande atracção serão os Metallica [quinta, palco Optimus, 21h], grupo que lançou no ano passado o álbum Death Magnetic e que arrasta sempre multidões atrás de si quando actua em Portugal. O resto da noite de sons ríspidos conta com as presenças dos Slipknot, Machine Head, Lamb Of God, Mastodon e Ramp.
No palco Super Bock todas as atenções estarão viradas para os americanos TV On The Radio [quinta, palco Super Bock, 21h20], um dos grupos mais entusiasmantes da actualidade, combinando um rock abrasivo com melodias polidas repescadas à soul, funk, electrónicas ou jazz. Vêm apresentar o seu último álbum, Dear Science, disco de guitarras ruidosas, derivações cósmicas e sequências rítmicas oscilantes, envoltas em arranjos radiosos.
No mesmo palco, hoje, atenções também direccionadas para os ingleses Klaxons e para a dupla canadiana Crystal Castels.
Outra descarga de adrenalina é esperada amanhã, quando os ingleses The Prodigy [sexta, palco Optimus, 0h30] subirem ao palco, para a habitual dose de frenesim electrónico marcado por uma atitude punk. Os Placebo, com o novo álbum Battle Of The Sun, os Eagles Of Death Metal, a banda alternativa de Josh Homme dos Queens Of The Stone Age, e os ingleses The Kooks prometem tingir o recinto com as várias colorações do rock.
No palco Super Bock, expectativa em perceber como é que a música enérgica e colorida, meio-rock-meio-digitalizada, do duo inglês The Ting Tings [sexta, 1h, palco Super Bock] funciona em palco, o mesmo sucedendo com o rock electrónico dos Late Of The Pier ou com a pop electrónica dos agitadores Fischerspooner.
No sábado vão estar em evidência dois projectos americanos, de universos estéticos diferenciados: os Black Eyed Peas (sábado, palco Optimus, 22h15) vêm mostrar o novíssimo The E.N.D., povoado por canções onde a pop, o hip-hop e o R&B se cruzam, enquanto a Dave Matthews Band (sábado, palco Optimus, 24h) apresenta um rock que não quer revoluções, apenas entreter. Chris Cornell, Ayo e Boss Ac são os outros nomes do mesmo palco.
Fotografia e ciência
A pop foliona dos galeses Los Campesinos! e a música dançante e enérgica dos alemães Autokratz vão estar no palco Super Rock, mas deverá ser a sueca Lykke Li [sábado, palco Super Bock, 23h40] a dominar as atenções. O seu álbum, Youth Novels, pode ser feito de pop delicada e etérea, mas ao vivo - como constatou quem a viu, no ano passado, no Variedades, em Lisboa - transfigura-se por completo. Canções como Dance dance dance, Breaking it up, My love ou Let if fall são recriadas com total veemência, recebendo um tratamento percussivo e adquirindo uma grandiosidade que não se lhe reconhece em disco. Em concerto, existe muita gente capaz de expor as entranhas. Mas poucos o fazem de forma inventiva, e focada, como a sueca.
Ao longo dos três dias que vai durar o festival, para além dos concertos, o público poderá usufruir de um espaço de exposições, com fotos de Rita Carmo, de um local dedicado à ciência, da responsabilidade do Instituto Gulbenkian da Ciência, ou de uma zona onde poderá aceder gratuitamente à Internet pelo telemóvel. Isto para além das habituais zonas de bares e restauração, áreas comerciais e posto médico da Cruz Vermelha. Esperamos que ninguém se magoe.


