Fernando Mascarenhas defende a criação de uma editora comum ao Brasil e a Portugal

04.09.2008 - 14:21 Por Lusa
O presidente da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna em Lisboa, Fernando Mascarenhas, defendeu uma maior aproximação entre o Brasil e Portugal e criticou a falta de uma editora comum a ambos os países.
"É muito difícil dizer o que falta para a maior aproximação. Acho que falta sem dúvida uma grande editora brasileira ou portuguesa que funcionasse simultaneamente nos dois países. Isso parece-me fundamental", disse à agência Lusa.
Apesar de admitir que há um movimento de grande interesse de Portugal pelas coisas do Brasil, Fernando Mascarenhas aponta como um problema a edição e considera "inacreditável que os livros brasileiros tenham de ser traduzidos para português de Portugal e os livros portugueses para o português do Brasil".
Quanto ao mercado editorial, questiona: "Portugal e o Brasil estranhamente parecem que estão quase a viver de costas um para o outro. É um pouco estranho porque estamos a falar a mesma língua".
Do ponto de vista cultural e "livreiro", observa, "a relação que existe entre a Espanha e os países da América Latina é muito mais forte do que entre Portugal e o Brasil".
Altos custos dificultam intercâmbio
Por seu lado, António Gomes da Costa, presidente do Real Gabinete Português de Leitura, localizado no Rio de Janeiro, afirma que os altos custos impostos ao mercado editorial dificultam o intercâmbio de livros de autores lusos e brasileiros.
Não crê, porém, que a criação de uma editora comum aos países de língua portuguesa possa encurtar as distâncias e resolver o problema dos encargos.
Na sua opinião, uma das formas de aproximar os dois públicos leitores é através de eventos promovidos por instituições luso-brasileiras para a difusão da lusofonia.
"Hoje a missão do Real Gabinete de difusão da cultura portuguesa torna-se mais necessária, na medida em que existem dificuldades do mercado do livro português em terras brasileiras", acrescenta.
Localizado no centro do Rio, o Real Gabinete possui 400 mil volumes entre obras raras e manuscritos, mas também exemplares de autores lusos contemporâneos.

