Exemplos da APEL com traduções diferentes no Brasil e em Portugal “passam ao lado do acordo ortográfico”

07.04.2008 - 13:32 Por Adelino Gomes
O estudo da APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) com traduções muito diferentes em edições brasileiras e portuguesas, "é inútil e é um tiro que passa claramente ao lado do acordo ortográfico”, disse o catedrático Carlos Reis aos jornalistas no final de uma conferência internacional sobre o acordo ortográfico, esta manhã, na Assembleia da República.
Carlos Reis disse que “o pseudo-estudo da APEL”, divulgado pelo PÚBLICO na sua edição de sexta-feira passada, “não demonstra absolutamente nada a não ser aquilo que já se sabe: que há diferenças lexicais, sintácticas, morfológicas entre o português de Portugal e o português do Brasil. Mas não é isso que está em causa no acordo ortográfico”.
A eventual inconstitucionalidade do acordo ortográfico, avançada por Graça Moura, foi igualmente contrariada pelo catedrático, argumentando que “dois eminentes constitucionalistas – Marcelo Rebelo de Sousa e Vital Moreira – já se pronunciaram, claramente, a favor do acordo”.
Carlos Reis menorizou a ausência, na Conferência Internacional, de países como Angola e Moçambique, que não ratificaram ainda o acordo. Tanto num país como no outro, disse ao PÚBLICO, “já houve claros sinais políticos de que uma vez ratificado o protocolo modificativo, por Portugal [numa sessão parlamentar prevista para Maio próximo] eles pragmaticamente farão o mesmo”.
O catedrático intervirá esta tarde em defesa do acordo, numa audição pública promovida pelo parlamento português e no qual terá como oponente o escritor e eurodeputado Vasco Graça Moura.
A audição contará com as participações do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, e de todo os grupos parlamentares. Da lista de participantes, não deputados, constam os nomes, entre outros, dos escritores Pepetela, Rui Duarte de Carvalho e José Eduardo Agualusa (Angola), Mia Couto Moçambique), germano de Almeida (Cabo Verde), Tony Tcheka (Guiné-Bissau), João Ubaldo Ribeiro (Brasil), do linguista Luís Costa (Timor-Leste) e de Alexandre Banhos, presidente da Associaçom Galega de Língua.

