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Festival

Este é o ano em que o FITEI muda de sexo

14.05.2009 - 12:45 Por Inês Nadais

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É fácil descobrir as semelhanças entre o FITEI de 2009, que começa já dia 26 no Porto e termina a 10 de Junho em Matosinhos, e o FITEI dos anos anteriores: habla español, tem lugar à mesa para as companhias que fizeram a história do festival (tanto os que hablan español, caso dos andaluzes do Atalaya, dos catalães La Fura dels Baus, dos galegos do NUT Teatro e do Matarile Teatro e do venezuelano Rodolfo Molina, como os que falam português, caso dos Artistas Unidos e do Teatro do Bolhão) e acaba na rua.

Também é fácil descobrir as diferenças: é uma edição dominada pelas mulheres e leva isso às últimas consequências num espectáculo (La Piel del Agua, do Teatro en el Aire, dias 7, 8 e 9 de Junho no Mosteiro de São Bento da Vitória) rigorosamente interdito ao público masculino.

"É um festival muito no feminino, a começar desde logo pelo espectáculo de abertura [Ariadna, coprodução da companhia Atalaya com o Centro Andaluz de Teatro], feito a partir das heroínas das tragédias gregas, e passando depois pelo solo da Célia Ramos [Filhas da Mãe - Fantasias Eróticas das Mulheres Portuguesas], pela performance da Filipa Francisco [Leitura de Listas], pelo espectáculo dos venezuelanos do El Theatron [Que Clase de Sexo]", disse ontem Mário Moutinho, director artístico do Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica do Porto, na apresentação da 32ª edição.

Mas há outras lógicas, além desta operação de mudança de sexo, por trás do programa: este é um festival que não tem um público, tem vários, e por isso a direcção do FITEI volta a apostar numa programação todo-o-terreno (que vai ao teatro, mas também à dança, à performance, às marionetas, ao novo circo), mas também é um festival que gosta de rever as companhias e os criadores com que se deu bem no passado.

Num ano em que o festival se expande para Matosinhos - também tem casa lá: o renovado Cine-Teatro Constantino Nery, que passa a ser parceiro do festival, juntando-se ao TNSJ e à Fundação de Serralves - e ganha uma extensão na Moita, o cartaz continua longe do volume que atingiu em 2007, quando fez 30 anos, mas contabiliza ainda assim 20 espectáculos, excluindo a programação paralela.

Boris Godunov (Coliseu, dias 28 e 29), o espectáculo que os La Fura dels Baus construíram a partir do texto de Pushkin mas também a partir dos acontecimentos de 2002 no Teatro Dubrovka, em Moscovo (quando um comando tchetcheno tomou o teatro num cerco de um dia e meio que terminou com a morte de 39 terroristas e pelo menos 129 reféns), é o destaque óbvio. "É impossível falar do FITEI sem falar dos La Fura dels Baus e todos os anos o público nos pede para voltarmos a ter um espectáculo deles. Desta vez foi possível, numa parceria com o Coliseu", notou Mário Moutinho.

Não é com eles que o festival termina: Boris Godunov é um espectáculo para palco à italiana e o FITEI gosta de sair na última noite. Este ano vai sair à rua em Matosinhos, com um compacto de acontecimentos que começa às 20h30 e dura até à meia-noite, mas antes desse Último Acto também sai à rua no Porto, para subir até ao topo da Torre dos Clérigos com Asas, dos brasileiros da Cª dos Pés (dia 5).

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