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Casa di Corto abriu em Fevereiro em Veneza

Espólio de Hugo Pratt vale pelo menos 50 milhões de euros

08.05.2011 - 10:55

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Site da Casa di Corto Site da Casa di Corto (DR)
O espólio do autor de banda desenhada italiano Hugo Pratt pode valer no mínimo 50 milhões de euros, disse à agência Lusa Guido Fuga, um dos antigos colaboradores do criador de Corto Maltese.

Guido Fuga, veneziano de 63 anos, é um dos impulsionadores da Casa di Corto, a casa-museu dedicada à mais conhecida personagem criada por Hugo Pratt, e que abriu portas em Fevereiro em Veneza.

Arquitecto e desenhador, Guido Fuga (e Lele Vianello, outro dos colaboradores de Pratt) é a mais valia da Casa de Corto Maltese, tentando dar visibilidade a um projecto que nasceu quase órfão de apoios.

De Hugo Pratt quase nada está exposto na casa-museu em Veneza e Guido Fuga atribui as culpas a uma disputa que se arrasta em tribunal há vários anos pelo acervo que Hugo Pratt deixou quando morreu, aos 68 anos em 1995.

Fuga lamenta que a sociedade Cong SA, dirigida por Patrizia Zanotti, antiga colorista e assistente de Pratt, seja a única detendora da obra do autor.

“Hugo pensava que os filhos venderiam os originais e que Patrizia, como era rica e fiel e conhecia o trabalho desde o início... Ele coloco-a responsável por tudo”, disse Guido Fuga, que ficou ele próprio com escassas obras do autor.

Em causa está um espólio que valerá pelo menos 50 milhões de euros e este número está subestimado, disse.

“Não nos podemos esquecer que a coleção inclui tiras, páginas de banda desenhada, mais de 13 mil aguarelas e se atribuirmos cinco mil euros a cada obra, já ultrapassámos os 65 milhões de euros”, calculou.

Além do mais, as aguarelas podem atingir valores “impressionantes” em leilão e cada página de “Balada do Mar salgado” (1967), no qual aparece pela primeira vez Corto Maltese, vale no mínimo 20 mil euros, sublinhou Guido Fuga.

Tudo seria mais simples, diz Guido Fuga, se a Cong SA permitisse repartir o acervo ou fazer uso dele num museu em Veneza, tal como aconteceu com Hergé, o criador de Tintin, a quem foi dedicado um museu em Bruxelas.

Para Guido Fuga, Hugo Pratt era “o mestre”, “um génio na forma de contar histórias. Corto [Maltese] era a sua projecção”.

Alto, de olhos claros e argola na orelha esquerda, a Guido Fuga também só lhe falta a jaqueta militar para se parecer com um Corto Maltese mais velho.

Entre risos, Fuga garante que a semelhança física com Corto Maltese, apesar das rugas e dos cabelos brancos, é uma mera coincidência e não uma apropriação extrema da obra de Pratt, que tão bem conheceu de perto e que agora lhe está vedada.

Mas enquanto decorrer o processo em tribunal, a Casa di Corto permanecerá quase como cenário de uma fábula, em Veneza.

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