Entropia e Finlândia no Salão Lisboa de Ilustração e BD

19.05.2005 - 10:23 Por Carlos Pessoa, PÚBLICO
A edição de 2005 do Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada abre hoje as portas ao público na Estufa Fria (Parque Eduardo VII). O tema desta sexta edição é a entropia, explorado em várias direcções e sentidos ao longo de 10 exposições seleccionadas pela organização. Como em anos anteriores, há um país convidado. Este ano, é a Finlândia, que se dá a conhecer através de sete mostras dos mais representativos autores daquele país.
"A nossa aposta é na banda desenhada de autor, mais experimental e alternativa", afirma Rosa Barreto, directora da Bedeteca de Lisboa e responsável máxima pelo evento, para justificar as opções do Salão. O tema genérico escolhido constitui uma forma de associação às comemorações, em 2005, do Ano Internacional da Física. "A entropia remete para a ideia de desordem e é desta que irrompe a criação, com a sua imprevisibilidade máxima", acrescenta Rosa Barreto.
Nas exposições que podem ser visitadas na Estufa Fria até 5 de Junho a manifestação desse impulso transformador tanto se exprime no trabalho do colectivo Le Dernier Cri (Marselha, França) como na obra das duplas Emanuel Guibert-Didier Lefèvre (Le Fotographe), Max Andersson-Lars Sjunnesson (Cão Capacho Bósnio), Helge Reuman-Xavier Robel (Elvis Studio) ou Gigi-Gigi (Ich liebe dich, du liebst mich nicht).
Outros contributos para a exploração temática e formal do tema proposto vêm dos portugueses Luís Lázaro (LL-90-01), José Carlos Fernandes (A Última Obra-Prima de Aaron Slobodj), Pedro Zamith (Feedback - Retorno) e dos finalistas de 2005 do curso de ilustração e BD da Ar.Co (Evento Letal, variações em torno da morte, "estado de entropia máxima"). Este núcleo é completado com a exposição As minhas primeiras 80 mil palavras: dicionário ilustrado, da editora espanhola Media Vaca.
"É prática nossa divulgar ao público a banda desenhada de países pouco conhecidos. A BD da Finlândia tem características muito semelhantes à nossa e apresenta uma dinâmica muito forte que era importante mostrar", sublinha Rosa Barreto. Apresentam-se em Lisboa seis exposições individuais (Katjia Tukiainen, Matti Hagelberg, Tarmo Koivisto, Terhi Ekebom, Jyrki Hiekkinen e Marko Turunen) e uma colectiva (Napamation, do colectivo Napa), num total de mais de duas dezenas de autores, muitos dos quais se deslocam a Portugal.
A programação deste ano completa-se com uma mostra consagrada à obra global do italiano Guido Buzzelli (1927-1992), composta por desenhos, telas e banda desenhada apresentados pela primeira vez entre nós: Guido Buzzelli: Visões de um Visionário inaugura a 2 de Junho no Palácio Galveias, onde se manterá até 3 de Julho.
À margem das exposições, está prevista uma programação variada, que inclui debates, cinema de animação, lançamentos de livros, animação infanto-juvenil, feira de fanzines, visitas guiadas e um workshop de serigrafia (informação detalhada em www.bedeteca.com).
Como em anos anteriores, o PÚBLICO associa-se a esta iniciativa da Câmara de Lisboa com a edição de 24 de Maio integralmente ilustrada com desenhos de autores portugueses. Nesse mesmo dia o catálogo geral do Salão é distribuído com o jornal.

