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Fundação dedicada à obra do pintor será inaugurada em 2010

Entrevista a Nadir Afonso: "Se tiver um metro quadrado de espaço para trabalhar sou tão feliz como numa grande cidade"

09.02.2009 - 10:48

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Nadir Afonso fotografado em 2002 Nadir Afonso fotografado em 2002 (Nelson Garrido (arquivo))
Uma fundação a construir de raiz, com projecto de Siza Vieira, acolherá o espólio de Nadir Afonso em 2010. Hoje, pelas 18h, é inaugurada uma exposição de obras suas na Assembleia da República, intitulada "As Cidades no Homem". Em Cascais, onde vive, o pintor fala sobre a sua vida e sobre os mecanismos da criação.

Em Janeiro, Chaves ficou a conhecer o projecto da Fundação Nadir Afonso, com assinatura de Siza Vieira, que a partir de 2010 acolherá nas margens do Tâmega grande parte do espólio do pintor que ali nasceu.

Previsto para a mesma data, surgirá em Boticas outro pólo da fundação, um centro de artes desenhado pelo atelier da nova-iorquina Louise Braverman. Hoje é inaugurada na Assembleia da República uma exposição de obras suas, "As Cidades no Homem", que ali ficará até 20 de Março, visível de 2ª a 6ª feira, das 15 às 17 horas.

Nadir, nome de origem persa que em hebreu significa "raro", trabalhou no fim dos anos 40 em Paris no atelier de Le Corbusier (que o deixava pintar durante as manhãs sem descontar essas horas no ordenado) e em 1951 no atelier de Oscar Niemeyer, no Brasil.

Aos 88 anos, é um homem luminoso aquele que entra na sala da casa de Cascais onde habita com a mulher, Laura, e os dois filhos, de 19 e 26 anos, este arquitecto.

Tem também três filhas mais velhas, nascidas de outros tantos relacionamentos em França. Durante anos, manteve o costume de ficar por Paris de Setembro a Abril e por cá de Maio em diante.

Só nos anos 80 optou definitivamente por viver em Portugal. Ouve com dificuldade mas fala ininterruptamente e, quando a conversa acaba, acrescenta com uma leve candura: "99% das perguntas que me fez não sei responder, não fazem sentido para mim." Aquele 1% que restava já ele tinha pedido logo no princípio para esclarecer. E é assim:

Nadir Afonso: Eu tenho uma concepção estética sobre a arte, que é original e sobre a qual já escrevi, mas nunca ninguém me questiona sobre isso! Para compreender o mecanismo da criação é preciso ser muito inteligente, está muito bem... [esboça um sorriso mordaz]. Mas se o indivíduo não manipula as formas, se não dá prática efectiva ao pensamento, ele não consegue compreendê-la. A obra de arte é regida por leis que são apenas apreendidas pela intuição sensível e, isto é muito importante, só quem trabalha as formas, quem desenvolve a sua intuição perceptiva, compreende o mecanismo da criação. A intuição desenvolve-se com o trabalho.

E esse só pode ser o artista?

Pode ser outra pessoa, mas tem que meditar sobre o mecanismo da criação. O essencial é a compreensão desse fenómeno.

O mecanismo da criação, ou seja, da obra artística, é um mecanismo universal?

Há uma concepção cósmica relacionada com tudo isso, eu também tenho uma concepção cósmica.

Quer dizer que o crítico...

... está por fora do problema. Uma pessoa lê Kant, lê Adorno, lê grossos volumes que não falam uma única vez nas leis que regem a obra de arte. Pegam numa obra célebre, fazem o seu relacionamento com a sociedade, a psicologia, a política, a teologia mas sobre o elemento essencial, que é a obra em si, não se debruçam. O fenómeno arte nunca é estudado.

Tem sido essa a sua grande preocupação. E defende que existem leis?

Que são a perfeição (dos objectos), a originalidade, a evocação. O homem trabalha dentro dessas qualidades da natureza. Nesse corpo a corpo com as formas, nessa manipulação - e agora é aqui que está o golpe de teatro - o indivíduo apercebe-se que há uma quarta qualidade que não está nos objectos, e essa qualidade é que é essencial: os espaços geométricos têm qualidades morfométricas e quando o indivíduo descobre, começa a empregar leis matemáticas. Assim, a quarta qualidade não está nos objectos, é uma lei matemática que está na geometria das formas e que também está na natureza, tal como estão as outras. Essa lei vai exaltar as outras qualidades e quando perante uma obra se exclama: "Fez a perfeição... foi com a sua alma!" Não é a alma, é a capacidade de descobrir na natureza essa lei matemática.

E da qual muitos artistas não se apercebem?

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Cultura: Projecto de Siza Vieira para a Fundação Nadir Afonso

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Entrevista com Nadir Afonso,fascinante! vai me ajudar muito a evoluir e entender melhor( as Leis) ...

linda loureço

26.02.2010 17:11