Encompassing the Globe: Exposição da Smithsonian é hoje inaugurada em Lisboa

15.07.2009 - 09:25 Por Vanessa Rato
Primeiro foi preciso esperar que as pessoas certas estivessem nos lugares certos. Depois foi todo um quebra-cabeças de diplomacia. Quatro anos de trabalho de comissariado com o nome da Smithsonian Institution e o peso dos seus 19 museus e 9 centros de investigação por detrás para chegar à exposição em que Jay Levenson andava a pensar há muito sem encontrar interlocutor.
Cerca de 250 objectos de museus de todo o mundo, da Rússia e Portugal ao Japão, passando pelo Brasil, vários países de África e de volta aos Estados Unidos: em Washington, onde há dois anos teve a sua primeira apresentação, Encompassing the Globe: Portugal e o mundo nos séculos XVI e XVII, dedicada à expansão marítima portuguesa e aos efeitos miscigenadores que espalhou em onda por toda a Europa, foi um sucesso de público, com algo mais de 340 mil visitantes.
Em Lisboa, onde hoje se inaugura no Museu Nacional de Arte Antiga, espera-se que tenha cerca de 100 mil visitantes, sensivelmente o número de entradas que o Palácio Nacional da Ajuda conseguiu em 2007 com a polémica mostra baseada nas colecções do Museu Hermitage de São Petersburgo.Com 600 objectos ligados à dinastia Romanov, "De Pedro, o Grande, a Nicolau II", que o Hermitage disse ter sido uma das suas melhores exposições de sempre na Europa, foi acusada de ser um fait divers cultural e de corresponder a uma estratégia de promoção política que, com o seu orçamento de 1,5 milhões de euros, iniciativa directa do Ministério da Cultura de Isabel Pires de Lima, deixava moribunda a rede nacional de museus.
Encompassing the Globe é também uma iniciativa directa do Ministério da Cultura, agora a cargo de José António Pinto Ribeiro. Apesar de incluir peças que não estiveram em Washington nem em Bruxelas (lugar da sua segunda apresentação), entre as quais dois tesouros nacionais que, pelo seu estatuto e fragilidade, não viajam - a Custódia de Belém e os Painéis de São Vicente -, Encompassing the Globe é mais pequena em Lisboa do que na versão original, tendo 173 peças. Envolve mesmo assim empréstimos privados, 26 instituições internacionais, 24 portuguesas e tem um orçamento estimado de 2,8 milhões de euros, um terço dos quais se previa que fossem reunidos pelo ministério junto de mecenas, devendo os restantes dois milhões vir de programas ligados à região de Lisboa e ao Turismo (1,5 milhões) e de receitas geradas pela exposição (500 mil euros).
No Museu Nacional de Arte Antiga, onde a exposição ocupa o piso nobre, houve obras importantes - segurança, iluminação, climatização... - e só os seguros de transporte das peças representam um investimento de um milhão de euros. Peças que têm vindo a chegar individualmente ou em pequenos núcleos ao longo da última semana, em geral entregues em mão por um "courrier" encarregado de identificar as condições em que chegam ao seu destino e de conhecer o próprio MNAA.
"Importantíssima"
"É uma experiência importantíssima para o museu que teve oportunidade de fazer obras e fica com uma rede de contactos internacionais difícil de estabelecer de outra forma", explicava na semana passada ao PÚBLICO Paulo Henriques, o director do MNAA, numa visita durante a montagem da mostra. Na altura, algumas das peças estavam já instaladas. É o caso do banco de Maximiliano II, arquiduque da Áustria, datado de 1554 e feito com os ossos de Solimão, o famoso elefante asiático que lhe foi oferecido pelo tio, João III de Portugal, chegado à Áustria em Dezembro de 1552 e falecido no ano seguinte, tido como inspiração para A Viagem do Elefante, de José Saramago.

