A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, anunciou hoje, em Évora, que no próximo ano não vai existir uma cidade Capital Nacional da Cultura, já que pretende "avaliar o modelo" da iniciativa.
"Não vai haver Capital Nacional da Cultura em 2006 porque estou interessada em avaliar esta iniciativa do ministério, que nunca foi avaliada", disse, ao visitar a exposição "Um Tesouro de Sabedoria", sobre o bicentenário da Biblioteca Pública de Évora, patente no Palácio D. Manuel.
Durante a campanha eleitoral das últimas legislativas, realizadas em Fevereiro, a candidata social-democrata por Évora e, na altura, ministra da Cultura, Maria João Bustorff, garantiu que, em 2006, Évora seria a Capital Nacional da Cultura.
Menos de um mês depois o presidente da Câmara Municipal de Évora, José Ernesto Oliveira (PS), retomou o assunto, garantindo que a decisão de escolher Évora para albergar a iniciativa, depois de Coimbra e Faro, já tinha sido tomada pelo anterior Governo de António Guterres.
Questionada hoje pelos jornalistas, além de garantir que não vai haver Capital Nacional da Cultura no próximo ano, a ministra Isabel Pires de Lima realçou não se sentir "ligada" ao compromisso feito pela sua antecessora.
"Esse compromisso foi assumido durante uma campanha eleitoral, não pela ministra da Cultura Maria João Bustorff. Por isso, não me sinto ligada a tal compromisso", frisou.
A governante argumentou que vai esperar pelo final da Capital Nacional da Cultura em Faro, que está a decorrer, para, então, proceder à avaliação da iniciativa.
"Só depois de feita essa avaliação, com uma amostra das duas Capitais Nacionais da Cultura - Coimbra e Faro -, é que tomarei decisões e avançaremos, ou não, para outro modelo", disse.
No caso específico de Évora, Isabel Pires de Lima afiançou tratar-se de "uma boa candidata" para acolher a Capital Nacional da Cultura.
"Com os equipamentos que se adivinham e pela sua riqueza patrimonial e tradição no campo da cultura, Évora é, com certeza, uma das candidatas com mais virtualidades. Mas vamos avaliar a iniciativa e, depois, eventualmente, definir um novo modelo", acrescentou.
Contactado pela Lusa, o autarca José Ernesto Oliveira disse encarar "com preocupação" o anúncio de que a Capital Nacional da Cultura vai ser interrompida em 2006 e defendeu a continuação da descentralização desta iniciativa: "Com este ou com outro modelo".
"Compreendo a necessidade de que seja feita uma avaliação, mas, visto que em 2006 não vai ser realizada, exijo que Évora acolha a próxima edição da Capital Nacional da Cultura", defendeu, acrescentando que, assim, será reconhecido "o papel específico e determinante" desempenhado pela cidade na promoção cultural.
Relativamente à Biblioteca Pública de Évora (BPE), a ministra da Cultura afirmou ter pretendido associar-se às comemorações do seu bicentenário, qualificando-a como "uma das bibliotecas mais ricas" do país.
Além disso, Isabel Pires de Lima lembrou que existe um contrato-programa assinado, entre a autarquia e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB), para a construção da nova biblioteca da cidade, o qual "será respeitado", embora ainda não existam prazos para o avanço do projecto.
Antes de se deslocar a Évora, a ministra visitou também Elvas, onde presidiu à assinatura de um contrato-programa para a recuperação da biblioteca local e assistiu à apresentação da comissão técnico-científica da candidatura das muralhas a Património Mundial da Humanidade.


