Eduardo Prado Coelho tinha "escrita iluminante", afirmou a ministra da Cultura

25.08.2007 - 16:24 Por Lusa
A morte de Eduardo Prado Coelho, aos 63 anos, "é uma grande perda e uma grande tristeza", lamentou hoje a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, recordando um intelectual que soube "cruzar vários saberes", ao juntar a "investigação teórica" com uma "escrita iluminante".
Recordo Eduardo Prado Coelho, antes de mais, "como um colega, cujo trabalho intelectual e universitário desde sempre acompanhei e com quem dezenas de vezes me cruzei em conferências, colóquios, concursos literários e muitas outras ocasiões", destacou Isabel Pires de Lima.
"Gostava também de salientar o grande intelectual que foi, tendo sempre sabido conciliar a investigação universitária, designadamente no campo da literatura e da crítica contemporânea, com uma actividade como cronista, ensaísta e até mesmo ao nível da escrita autobiográfica", afirmou também a ministra da Cultura.
"Valorizo muito essa capacidade de estar presente, se quiser, nesses dois mundos", disse Isabel Pires de Lima. Nesse contexto, elogio "a sua capacidade de cruzar vários saberes - filosofia, literatura, antropologia... O seu permanente contacto com todas estas áreas do saber fez dele uma figura preponderante, disseminadora e até iluminante", acrescentou.
"Portugal aprendeu a pensar a sua contemporaneidade"
A ministra da Cultura recorda igualmente Eduardo Prado Coelho como alguém que "esteve sempre muito atento à arte e ao pensamento contemporâneo português", com quem "Portugal aprendeu a pensar a sua contemporaneidade".
Salientando o papel de divulgador da cultura portuguesa no estrangeiro, "nomeadamente em França", onde foi conselheiro cultural da embaixada durante dez anos, e no Brasil, "país ao qual esteve sempre muito atento", Isabel Pires de Lima destaca ainda o facto de ter sido "um dos homens que melhor pensou a poesia contemporânea, tendo contribuído para a descobrerta de muitos autores portugueses e escrito alguns dos ensaios mais iluminantes sobre a poesia portuguesa nos últimos 30 anos".
"A sua escrita foi sempre muito sensível e inteligente", considerou Isabel Pires de Lima, recordando ainda uma frase de Eduardo Prado Coelho que sintetiza a sua forma de estar: "Escrever é descobrir" é uma expressão que "resume bem a sua escrita, na qual, de facto, estava sempre presente o acto da descoberta".

