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Destino do espólio do Nobel da Literatura ou eventual publicação de inéditos nas mãos de Pilar del Río

Editores de Saramago à espera do que Pilar vier a decidir

23.06.2010 - 07:32 Por Luís Miguel Queirós, com I.C. e N.R.

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Vendas de livros dispararam mil por cento Vendas de livros dispararam mil por cento (Nuno Ferreira Santos)
Com a morte de José Saramago - que hoje será homenageado na Assembleia da República - a fazer disparar as vendas dos seus livros, os editores portugueses e estrangeiros estão ansiosos por saber se poderão contar com inéditos do Nobel da Literatura. Mas ninguém arrisca o que pode vir a sair da "arca" de Saramago antes de Pilar del Río, sua viúva, anunciar o destino que dará ao espólio.

"Não é o momento oportuno para falar sobre os inéditos", diz a agente literária do escritor, a alemã Nicole Witt. "Essa decisão está nas mãos de Pilar del Río e da Fundação José Saramago." Também Zeferino Coelho, editor da Caminho, que já leu as poucas dezenas de páginas que Saramago deixou escritas para o romance em que estava a trabalhar quando morreu - Alabardas! Albardas! Espingardas! Espingardas!, título tirado de Gil Vicente -, sublinha que "terá de ser Pilar a decidir" a eventual publicação de quaisquer inéditos.

Lembrando que Saramago "publicou o que quis publicar" e que, entre os papéis que deixou, "há coisas de natureza muito diversa", acha que, para já, "é preciso reflectir e estudar o espólio". Mas adianta que gostaria de prosseguir a publicação da correspondência de Saramago, após o recente lançamento do diálogo epistolar que este manteve com o romancista José Rodrigues Miguéis. Uma parte significativa do espólio até é conhecida, porque muitos documentos - manuscritos, cartas, textos inéditos, fotografias - integraram a exposição José Saramago. A Consistência dos Sonhos, que esteve no Palácio da Ajuda em 2008. E há muito se sabe que existe um romance inédito, Clarabóia, rejeitado por uma editora no final dos anos 40, e que o autor nunca quis, depois, publicar.

Enquanto não aparecem inéditos, os editores tentam responder ao súbito aumento da procura dos livros de Saramago. Em Portugal, a Caminho tem-se limitado a actualizar os stocks, reimprimindo títulos que já escasseiam em armazém. No estrangeiro, apressam-se traduções para apanhar este período um tanto mórbido de exposição mediática.

"Na Alemanha, a publicação de A Viagem do Elefante estava prevista para Agosto, mas a obra irá para as livrarias ainda esta semana", diz Nicole Witt. Também em França, diz, "estão a tentar antecipar a saída de Caim". Em Espanha, a editora Alfaguara ultima Saramago nas Suas Palavras, uma selecção dos artigos e entrevistas do autor na imprensa escrita, organizada pelo seu biógrafo Fernando Gómez Aguillera. "Estamos na fase de tradução, pois 70 por cento das citações são da imprensa portuguesa", adiantou Pilar Reyes, responsável da editora. Em Espanha, o livro sairá em Setembro, mas a edição portuguesa só será lançada a 16 de Novembro, quando Saramago faria 88 anos.

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Ignorante

A comentador Maria Armanda é uma autêntica ignorante e ao mesmo tempo inconveniente na ...

serafim matos pagani

23.06.2010 20:27

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