Desde que foi introduzida, há 70 anos atrás, a categoria de guião original da “Academy Awards” tem sido um terreno fértil para novas vozes, lançando carreiras e solidificando o legado de escritores como Orson Welles, Billy Wilder e Paddy Chayefsky. No entanto, este ano a categoria parece ter empobrecido.
Os irmãos Coen com “A Serious Man”, Quentin Tarantino com “Inglourious Basterds”, e Bob Peterson e Tom McCarthy´s com “Up” poderão ser alguns dos nomeados. Para além de Scott Neustadter e Michael Weber com a sua história “(500) Days of Summer”.
Apesar disto, os eleitores vão ter de olhar mais longe. Quase certamente disputando a atenção está o duo por detrás da nova versão de “Star Trek”, os escritores Roberto Orci e Alex Kurtzman, que também contam com “Transformers: Revenge of the Fallen”.
O campo dos guiões originais tem mudado dramaticamente nas últimas décadas. A última vez que Tarantino foi nomeado, em 1994, concorreu contra Woody Allen, Richard Curtis e Peter Jackson.
Se isto fosse apenas um ano menos rico em produções, seria uma coisa. Mas, a falta de escritores estabelecidos está a captar as atenções de muitos, na comunidade de desenvolvimento, como algo permanente.
“Penso que se pode olhar para o estado desta categoria como uma ligação directa do resultado da dependência dos estúdios de marcas conhecidas e a morte da spec market (destino da comunidade de entretenimento para a qualidade e talento e material literário ainda não descoberto), disse um representante.
Desde que os estúdios se tornaram obcecados com os remakes e sequelas, houve uma diminuição de novas ideias que poderiam tornar a categoria mais diversificada.
Tudo isto seria já suficientemente preocupante se os óscares existissem independentemente da política de Hollywood. Mas, a actual falta de roteiros originais pode reforçar a tendência negativa: os estúdios não produzem muito, logo a Academia não tem muito por onde escolher, e a categoria perde estatura, desincentivando os estúdios de produzir esse tipo de filmes.


