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Lucky Dragons

Dream Island Laughing Language

22.01.2009 - 12:06 Por Pedro Rios, PÚBLICO, Upset! The Rhythm, distri. Sabotage

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Há algo de desconcertante na música dos Lucky Dragons, o projecto em que o californiano Luke Fischbeck se rodeia de outros músicos (com destaque para Sarah Rara - o duo esteve em Portugal em Outubro). Não fazem canções, mas também ocupam um lugar único no cenário experimental.

Neste disco, o último de uma série de 20 registos em vários formatos, aprofundam a sua visão peculiar do que pode ser a música filtrada pelas tecnologias digitais. Além de tocar vários instrumentos (flautas, piano, dulcimer, entre outros), cabe também a Fischbeck a função de editar este caleidoscópio sonoro, onde cabem elementos como retalhos de guitarras folk, gongos, percussão tribal e vozes murmurantes. O método dos Lucky Dragons consiste em provocar um acontecimento (um objecto percutido, uma frase de guitarra) para, em seguida, manipulá-lo, num jogo entre banda e maquinaria electrónica que impele o ouvinte a participar de alguma forma (ao vivo, esta ideia ganha força, com a banda a convidar o público a interferir na performance). A simplicidade de temas como "Free guys by the sea" (uma flauta desgarrada, percussão básica) é desarmante. Em "Band hammer", com uma guitarra acústica em "loop" e a voz de Fischbeck, evocam a austeridade doce de Richard Youngs. "Givers" lembra os Black Dice dos últimos discos, enveredando por caminhos mais lúdicos mas também fortemente rítmicos, e "My are singing", outro momento alto, põe uma guitarra acústica roufenha em círculos debaixo de vozes em cascata. Como os Lucky Dragons já nos habituaram, "Dream Island Laughing Language" inclui várias faixas que não são mais do que a simples exploração de uma ideia. Este lado ingénuo e brincalhão é, ao mesmo tempo, o seu trunfo e calcanhar de Aquiles, já que fica a impressão que a banda só beneficiaria de uma maior filtragem antes de editar um disco.

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