A Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN) dispõe de um orçamento de 1,4 milhões de euros em 2012, destinado, na sua quase totalidade, para assegurar a comparticipação nacional dos vários projectos comunitários que estão em curso.
Paula Silva, directora da DRCN, disse à Lusa que, por causa das dificuldades que o país atravessa, a data de conclusão de vários projectos se vai estender até 2013.
“É uma forma de se conseguir concretizar as coisas, não deixando cair os projectos e as iniciativas que estavam programadas”, salientou.
Para 2012, a DRCN dispõe de um orçamento de 1,4 milhões de euros, menos 13% do que no ano anterior, verba essa que vai servir para assegurar a comparticipação nacional das candidaturas ao QREN.
Depois de terminada a intervenção no Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, este ano vai arrancar mais uma fase do projecto Vale do Varosa, com a musealização das ruínas de São João de Tarouca e a construção de centro de acolhimento de Ferreirim.
O “Vale do Varosa” representa um investimento de 3,1 milhões de euros na criação de uma rede de monumentos, que se espalham entre Tarouca e Lamego, e pretende servir de complemento ao turismo no Douro.
A DRCN vai prosseguir ainda com a intervenção na Fonte do Milho, na Régua, para onde está a ultimar o projecto de consolidação das ruínas arqueológicas.
A Estação Arqueológica da Fonte do Milho, monumento nacional desde 1959, está a ser alvo de uma intervenção que vai custar 1,1 milhões de euros e resulta de uma parceria com a câmara de Peso da Régua.
Vestígios encontrados neste local revelam que o Douro produz vinho há cerca de dois mil anos, por intermédio dos romanos que passaram pelo vale duriense.
Em obra estão também a Capela de São Pedro de Balsemão, em Lamego, que remonta ao século X e é uma das primeiras igrejas de que há registo, e o mosteiro da Ribeira, em Sernancelhe, num projecto que conta com a colaboração da autarquia local.
A Rota das Catedrais, que prevê a recuperação e valorização de sete destes monumentos, já teve a aprovação condicionada na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) e deverá arrancar ainda este ano.
No âmbito do projecto Românico Atlântico, estão também a ser intervencionadas três igrejas nos concelhos de Santo Tirso, Bragança e Mogadouro, com o apoio da Fundação Iberdola e a junta de Castela e Leão.
“As intervenções no património têm que ser contidas. O tempo dos elefantes brancos acabou”, salientou Paula Silva.
Em breve, segundo a responsável, será lançada a segunda edição do Prémio Douro Ensaio, que atribui cinco mil euros a um trabalho escrito sobre este território e resulta de um mecenato da EDP.
A direcção regional está ainda a ultimar a tradução para castelhano dos sete documentários “O Douro nos caminhos da literatura”, que propõem uma viagem pela região através da obra e lugares de eleição de escritores durienses.
Os documentários homenageiam os escritores João Araújo Correia, Domingos Monteiro, Pina de Morais, Aquilino Ribeiro, Trindade Coelho, Guerra Junqueiro e Miguel Torga. A ideia é que sirvam para divulgar a cultura portuguesa no país vizinho.
“Num período de crise, como este que estamos atravessar, o fundamental é conseguir rentabilizar o que já temos. Tem de haver um esforço de contenção muito grande”, frisou.



