Doc's Kingdom vai exibir 33 filmes e discutir relações entre cinema e política em Serpa

13.06.2009 - 20:59 Por Lusa
A exibição de 33 documentários de 17 cineastas portugueses e estrangeiros vai servir de base para discutir as relações entre o cinema e a política no sétimo seminário internacional Doc's Kingdom, que começa na terça-feira, em Serpa.
O "reino dos documentários", organizado pela Apordoc - Associação pelo Documentário, vai decorrer até dia 21, no Cine-teatro de Serpa, e contará com a presença de 11 realizadores, como Abderramane Sissako, considerado "um dos mais importantes cineastas africanos" contemporâneos.
Além de Sissako, o Doc's Kingdom deste ano contará com as presenças de outros cinco cineastas estrangeiros, como Eduardo Escorel, Lee Anne Schmitt, Aliona Polunina, Robert Fenz e Sylvain George, e cinco portugueses, como Manuel Mozos, Tiago Afonso, Mário Gomes e Mónica Baptista, que irão falar dos seus filmes após as respectivas exibições.
"Durante o dia vemos filmes e ao fim do dia falamos sobre eles"
O Doc's Kingdom "não é um festival de cinema, nem um evento para ver filmes", mas sim "uma câmara de reflexão sobre o cinema documental contemporâneo", explicou hoje à agência Lusa José Manuel Costa, responsável pelo seminário. "Apesar da popularidade do cinema documental e da grande quantidade de documentários exibidos em festivais, há cada vez maior consumo de filmes e pouca reflexão sobre eles", frisou.
Assim, continuou o mesmo responsável, o Doc's Kingdom "é uma oportunidade para discutir o cinema documental que se está a fazer a partir dos filmes exibidos" e a edição deste ano parte do tema geral "reinterrogar a imagem política". "Vamos discutir vários tipos de relação entre o cinema e a política", explicou José Manuel Costa, referindo que "a regra do Doc's Kingdom deste ano vai ser: durante o dia vemos filmes e ao fim do dia falamos sobre eles", através dos quatro debates colectivos previstos para os fins de tarde de quarta-feira a sábado.
A propósito e a anteceder o seminário, a livraria Vemos, Ouvimos e Lemos, em Serpa, exibe, segunda-feira, às 18h30, "35 - O Assalto ao Poder", um filme do cineasta Eduardo Escorel, "uma figura central do documentarismo brasileiro" e "investigador das relações entre o cinema e a política", disse José Manuel Costa.
A exibição aberta ao público, terça-feira, às 21h00, de "La Rabbia" (1963), um filme do cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, marca o "pontapé de saída" do seminário.
A "memória de eventos políticos, particularmente da Revolução", é um dos subtemas do seminário, precisou José Manuel Costa, referindo, a este propósito, a exibição, quarta-feira, dos filmes "Terra em transe" (1967), de Glauber Rocha, e "O Tempo e o Lugar" (2008), de Eduardo Escorel.
Segue-se, também quarta-feira, a exibição de dois filmes que "evocam a complexidade identitária e política da Rússia contemporânea": "Uma Revolução que não o foi" (2008), da "jovem cineasta" russa Aliona Polunina, e "Territórios" (2009), da realizadora portuguesa Mónica Baptista.
A "memória dos lugares" será abordada quinta-feira através de filmes como "Ruínas" (2009), de Manuel Mozos, e "California Company Town" (2009), de Lee Anne Schmitt.
A questão da "memória política" vai estar presente na maior parte dos filmes para ver e discutir quinta e sexta-feira, como as cinco partes da série "Meditations on Revolution", do cineasta norte-americano Robert Fenz.
As formas do cinema militante, a acção política e cinematográfica e o activismo serão abordadas sexta-feira e sábado a partir de filmes de e com realizadores como o francês Sylvain George e Abderrahmane Sissako.
O Doc's Kingdom termina dia 21 com "A Caça" (1963), de Manoel de Oliveira, seguindo-se, na sessão "O Cinema, Cem Anos de Juventude", a exibição de filmes realizados este ano lectivo por alunos da escola secundária de Serpa, no âmbito do "Primeiro Olhar", um projecto de iniciação à imagem desenvolvido pela Associação "Os Filhos de Lumière".

