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"Luanda, fábrica e música"

DocLisboa exibe filme angolano sobre kuduro

14.10.2009 - 13:20

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A criatividade e a dedicação dos angolanos ao kuduro é retratada, através da história do DJ Buda, no filme “Luanda, fábrica e música”, de Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade, que passa no sábado no festival DocLisboa.

O documentário, que integra a competição portuguesa de longas-metragens, centra-se no estúdio de DJ Buda, um conhecido produtor e músico de Luanda que se dedica ao kuduro, mas o filme acaba por ser um retrato da juventude luandense e a sua relação com aquele estilo musical. “É emblemático do que são os jovens em Luanda, são muito batalhadores pelos seus sonhos”, disse Inês Gonçalves, que rodou o filme com Kiluanje Liberdade no Verão de 2008.

No filme, os realizadores acompanham a vida de DJ Buda no seu estúdio num musseque nos arredores de Luanda e o processo de gravação das dezenas de miúdos que por lá passam para cantar um poema, por cima de uma batida de kuduro.

Para DJ Buda, o estúdio é um negócio, mas para muitos dos jovens que por lá passam, a gravação de um tema ou de um disco de kuduro é como “um ritual de iniciação”, opinou Inês Gonçalves. “Há uma necessidade enorme daqueles miúdos de se iniciarem, muitos não querem ter uma vida de artista ou profissional, mas gravar é uma coisa importante para eles”, disse.

São miúdos poetas, que “cantam o que gostavam que o mundo fosse, ou falam da vida deles”, disse Inês Gonçalves. O estilo que predomina é agressivo, rápido como a rajada de uma metralhadora, inspirado no mundo onde habitam.

Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade conheceram DJ Buda há quatro anos quando estiveram em Luanda para fazer o projecto “Agora Luanda” e logo ali perceberam que havia uma boa história para contar. “Queria filmar aquela personagem, a sua ambição, a forma de fazer discos, que é igual a outros sítios, mas com outros meios”, justificou.

Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade, realizador angolano, voltam a filmar juntos depois de “Outros bairros” (1999), no qual participa também Vasco Pimentel, e “Agora Luanda” (2006), que incluiu um filme, um livro e uma exposição de fotografia.
“Luanda, fábrica de música” será exibido no sábado no Cinema Londres, às 23h00, e no domingo no grande auditório da Culturgest, às 19h00.

O sétimo DocLisboa começa hoje e termina no dia 25.

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