Oasis

Dig Out Your Soul

09.10.2008 - 11:14 Por Mário Lopes, PÚBLICO, Big Brother; distri. Edel

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"Don't Believe The Truth", editado em 2005, pôs fim a uma longa e penosa sequência de álbuns menores. Mais curto e mais imediato que os seus antecessores, não eram os Oasis a tentarem ser eles próprios (o que é um erro), eram os Oasis a fazer aquilo em que são melhores. Ou seja, a serem outros: os Kinks, os Beatles, os The Who, os Velvet. Não era uma obra prima e não causou, não podia causar, o furor de "Definitely Maybe" ou "What's The Story (Morning Glory)", mas devolveu-nos aquela banda que recria a história da pop como se fosse dona do mundo - e essa confiança arrogante é qualidade que entusiasma quando concretizada em canções que respiram mitologia rock'n'roll por todo os poros.

Em "Dig Out Your Soul", o agora editado sucessor de "Don't Believe The Truth", mantém aquele estado de alma. É um álbum curto de 11 canções (como deve ser), onde não há grande espaço para as tentações megalómanas do pós-"What's The Story (Morning Glory)". Aqui, encontramos os Oasis que metade do mundo aprendeu a amar (a outra metade odeia-os para todo o sempre), desta vez em versão psicadélico-shoegaze. "Bag it up" há-de crescer até se transformar, quando as guitarras planarem entontecidas, na versão de "Eight miles high" que os My Bloody Valentine nunca gravaram. "Waiting for the rapture" é rock de garagem, electricidade em estado cru sobre a qual Noel Gallagher grita qualquer coisa sobre "revolution in the head". Mais à frente, há um ritmo de bateria sacado a "Tomorrow never knows", uma das 20 melhores canções de sempre dos Beatles, a servir como pano de fundo para os mistérios opiáceos de "Falling down" - um mellotron no sítio certo é sempre boa ajuda-, e há blues-rock enraivecido quase no final, em "The nature of reality". Em metade do tempo, "Dig Out Your Soul" soa a banda do underground de 1960 entregue a rock'n'roll marginal e feitiçarias psicadélicas - e soa muito bem. Na outra metade, assomam os Oasis heróis da "working class" de Manchester, banda que transforma hooligans em seres carinhosos berrando refrões pop. Aquelas duas metades, note-se, não são divisíveis. Encontramo-las em cada uma das canções. Veja-se "The turning". Ao primeiro riff, são os "garage-rockers" alimentando-se de excessos eléctricos. Introduzido o refrão, épico e repetido até à exaustão, já largámos a cave "underground", já estamos a céu aberto perante a banda de estádio que acredita firmemente ser a melhor do mundo. Aí chegados, não temos hipótese. Continuamos a amá-los ou prosseguimos com o ódio militante. Para o bem e para o mal, eles não mudarão.

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