Costuma-se chamar a Veneza “La Serenissima” - mas “serenissima” é coisa que, neste fim de Verão e com a Mostra finalmente a carburar a cem por cento, a cidade não está.
Com o estaleiro das obras do futuro Palácio do Cinema ainda a tapar parte da marginal Marconi (e a conclusão dos trabalhos acaba de ser adiada para 2012 devido à descoberta de amianto nos alicerces do antigo Casino), o trânsito continua intransitável.
A “passadeira vermelha” para as sessões da noite na Sala Grande, com o contingente de convidados e estrelas que chegam de barco ou de limusine (ou que vêm a pé do hotel Excelsior, um quarteirão abaixo), as proverbiais filas para entrar nas sessões e o movimento constante de jornalistas, câmaras, assessores de imprensa, seguranças, polícias (muitos polícias), locais e veraneantes apenas ajudam à congestão.
No entanto, como raramente em festivais de cinema, as estrelas andam mesmo entre o comum dos mortais: Quentin Tarantino, presidente do júri, passeia pelos luxuosos foyers em mármore do Palácio do Casino (sede do júri, da organização e da imprensa durante os dez dias do certame), Robert Rodriguez assina convivialmente autógrafos numa rua, Alberto Barbera, que dirigiu o festival antes de Marco Müller, mistura-se com a imprensa para assistir às sessões de filmes italianos.
E à noite, a esplanada da Movie Village, zona ao ar livre nas traseiras do Palácio do Casino, é até ao final das projecções (a última começa às dez da noite) uma alegre confusão de jornalistas com mochilas, portáteis e ar de quem já viu cinco filmes da parte da tarde e convidados de fato ou vestido de noite de impecável corte italiano, à volta de uma cerveja ou de um martini.



