Desacordo entre associações de editores coloca Feira do Livro de Lisboa em risco

17.04.2008 - 14:11 Por Lusa
O desentendimento já é público: a APEL e a UEP, as duas associações de livreiros responsáveis pela organização da Feira do Livro de Lisboa, encaram esta de modo diferente, têm sobre ela divergentes concepções, estratégias aparentemente inconciliáveis.
Para "fazer o ponto da situação", a APEL - Associação Portuguesa de Editores e Livreiros - convocou para hoje às 18h30 uma assembleia de participantes na Feira.
Mais do que "fazer o ponto", aos participantes no encontro competirá encontrar uma saída para o diferendo, cuja primeira evidência foi a entrega à Câmara Municipal de Lisboa, pelas duas associações, de dois desencontrados pedidos: um para a realização de uma Festa do Livro, outro para uma Feira do Livro.
Confrontada com a divergência, a Câmara, à qual compete autorizar a utilização do espaço público destinado ao certame, foi pronta na resposta: terão de ser as duas desentendidas associações a encontrar uma solução, a chegar a um entendimento.
Elas "não transferirão para a Câmara a responsabilidade do desentendimento que têm", advertiu o chefe da edilidade lisboeta, António Costa.
"Desejo - disse - que os organizadores tenham o bom-senso de não fazer uma feira que seja mais pobre do que a que tem sido realizada nos últimos 78 anos".
A divergência, se não for ultrapassada, poderá ter essa "pobreza" como consequência mas, a julgar pelos contactos com editores efectuados pela Lusa, a ninguém passa pela cabeça que a Feira este ano não se realize, quaisquer que sejam as dimensões dos pavilhões, a distribuição destes no espaço do Parque, o maior ou menor número (e interesse) das actividades paralelas.
Para o editor Francisco Espadinha, da Editorial Presença, membro da APEL, o que divide as duas associações é uma questão de estratégia.
"A UEP (União dos Editores Portugueses) - disse - está empenhada em valorizar estritamente a vertente comercial da Feira, enquanto que a APEL tem outros compromissos, nomeadamente a prioridade à promoção do livro e da leitura".
Diferença de estratégias foi, basicamente, o que esteve, há anos, na origem da cisão ocorrida na APEL, de que resultou a criação da UEP.
Recentemente, notícias na imprensa sugeriram que as duas associações poderiam unir-se de novo. O "casamento", porém, não chegou a acontecer então, e este novo "arrufo" - com a feira num dos vértices do triângulo - poderá tornar mais longínquo ainda esse projecto.
Na assembleia marcada para hoje no Hotel Roma, o objectivo é duplo, segundo uma fonte da APEL :"fazer o ponto da situação e dar todo o tempo ao Grupo Leya para expor as suas exigências e pretensões"
Segundo uma fonte ligada às negociações com a Câmara, em questão, no que respeita a este grupo editorial, está o interesse que demonstrou "em deter um espaço maior e em circunstâncias diferentes dos tradicionais pavilhões".


