Os Delfins, cujo fim de carreira está agendado para 31 de Dezembro, despedem-se hoje oficialmente de Macau, com um espectáculo na Fortaleza do Monte, que vai recordar os grandes êxitos da banda dos últimos 25 anos.
O líder da banda, Miguel Ângelo, disse que o convite a Macau “caiu muito bem”, ao sublinhar que a região foi “um dos sítios mais interessantes por onde os Delfins passaram”, que tem uma “magia e ambiente que proporcionam uma experiência única”.
Ao constatar que a Macau de hoje é diferente daquela que os Delfins conheceram ainda durante a administração portuguesa, Miguel Ângelo salienta a surpresa da banda quando se apercebeu, com satisfação, que os principais símbolos portugueses mantêm-se preservados no território, hoje sob domínio chinês.
“Macau expandiu-se muito, mas confesso que receava que os símbolos portugueses, desde os nomes dos estabelecimentos aos das ruas, tivessem desaparecido”, disse Miguel Ângelo, confessando-se surpreendido pela positiva com a “preservação daquilo que faz parte da história de Macau e que a torna diferente do resto da China”.
Antes da despedida do Coliseu do Porto, a 14 de Novembro, e do derradeiro concerto na Baía de Cascais, a 31 de Dezembro - que contará com vários músicos convidados, os Delfins sobem hoje ao palco de Macau para celebrar “em espírito de festa, sem saudosismo, nem tristeza” 25 anos e 25 êxitos da banda que “ficam para sempre”.
“A grande vitória desta longa carreira é constatar que, apesar de a pop ser efémera, há pessoas de diferentes gerações, dos 12 aos 60 anos, a cantar as nossas músicas. Conseguimos fazer o que é o mais difícil para uma banda, músicas que durem para sempre”, realçou Miguel Ângelo com orgulho.
Sucessos como “Aquele Inverno”, “Queda de um Anjo”, “Um Lugar ao Sol”, “Nasce Selvagem”, “Saber Amar” vão levar hoje o público de Macau ao rubro.
Para o futuro, está prevista a saída de DVDs dos Delfins e de material inédito que ficou por editar. “Temos quilos e quilos de bobines em fita que serão remasterizadas e há discos importantes para nós, como o “Ser Maior”, que fará o seu aniversário”, explicou o líder da banda.
Miguel Ângelo, que confessa sofrer do mal de “estar sempre a pensar no que vai fazer amanhã”, vai avançar com um projecto a solo de pop rock que terá “outras influências”, letras em português e que deverá ter o primeiro álbum editado depois do Verão de 2010.
“Os Delfins foram uma longa-metragem e agora quero fazer outro filme, para daqui a 20 ou 25 anos poder também celebrar”, disse Miguel Ângelo, admitindo que o novo projecto poderá adoptar o seu nome e a intenção de trabalhar “outras cambiantes sonoras”, que poderão passar pelo uso de violino, acordeão e/ou contrabaixo.
Para trás ficaram momentos marcantes partilhados com os Delfins, realçou o líder da banda, destacando o concerto em Timor-Leste no dia da Restauração da Independência, que assumiu um “significado especial, porque o tema “Soltem os Prisioneiros” foi adoptado como hino de libertação depois do massacre de Díli”, relembrou.
Ao constatar que foram os concertos nos países lusófonos que mais marcaram a carreira dos Delfins, Miguel Ângelo salienta ainda como “inesquecíveis” as actuações em salas emblemáticas, como a Brixton Academy, em Londres, ou a Le Zénith, em Paris.
Com muitos quilómetros feitos, os Delfins confessam que são as estradas que vão dar ao Norte do país as que mais memórias deixam. “Mais de 70 por cento dos nossos concertos foram de Coimbra para cima, e, portanto, as viagens pelo Norte foram aquelas que, se calhar, nos deram mais prazer”, confessou Miguel Ângelo.
É com a sensação de dever cumprido e sem arrependimentos que os Delfins encerram mais um capítulo da cena musical nacional, admitindo que o percurso contou com alguns erros, mas com a liberdade de seguir o caminho que queriam.


