Declarações de Viegas revelam "desconhecimento da realidade nacional", diz Canavilhas

27.07.2011 - 15:13 Por Lusa
A deputada socialista Gabriela Canavilhas afirmou hoje “estranhar” as declarações do secretário de Estado da Cultura segundo as quais Portugal tem um excesso de equipamentos culturais, por achar que revelam “algum desconhecimento da realidade nacional”.
“Estranhei ter dito que Portugal tinha equipamentos a mais quando, segundo dados da Comissão Europeia para a Educação, Ciência e Cultura, Portugal está entre 30 a 40 por cento abaixo da média europeia”, disse a anterior titular da pasta da Cultura, enquanto ministério.
A deputada socialista referiu um “levantamento exaustivo” feito pela direcção-geral das Artes que apontou para a existência de mais de 150 espaços, com vista ao lançamento da rede de teatros municipais “e dentro destes, mais de 50 tinham todas as condições logísticas, técnicas e de programação”.
Canavilhas salientou que “a estrutura nacional de equipamentos culturais está muito longe da média europeia mas tem dado saltos qualitativos” e lançou um repto ao secretário de Estado, Francisco José Viegas para “não se desperdiçar e dar seguimento ao acordo já feito com a EDP para co-financiar esta rede”.
Para a deputada, da estreia “pacífica sem qualquer pressão” de Francisco José Viegas no Parlamento, “a ideia mais importante que ficou foi a assunção que a passagem a Secretaria não é por aperto financeiro é uma opção ideológica”.
Referindo-se a outros tópicos debatidos na terça-feira à tarde na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, Gabriela Canavilhas criticou a proposta de uma escola no seio da Companhia Nacional de Bailado.
“Esta solução não resolve o problema de uma quantidade grande bailarinos que já não dança há muitos anos, não tem formação específica para ser professor e que nem sequer tem vocação”, afirmou.
“Esse papel -- continuou -- é desenvolvido pela Escola de Bailado do Conservatório”.
Canavilhas adiantou que irá apresentar uma proposta à Assembleia da República “para resolver de imediato o problema de 25 bailarinos, dando-lhes meios para a reforma antecipada e um fundo para a reconversão profissional”.
Relativamente à decisão de restaurar a Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, Canavilhas afirmou que “vai contrariar as ordens do primeiro-ministro que são de reduzir em 15 por cento o número de directores gerais, e esta é uma direcção geral que tem menos de 50 funcionários”.
Canavilhas pretende que Viegas explique “em que é que a política do livro ficou diminuída [durante] o ano em que ficou dependente do director geral da Biblioteca Nacional de Portugal, extinguindo-se assim um ordenado”.
A deputada socialista quer ainda saber se o secretário de Estado “vai repor os valores dos contratos plurianuais” que foi obrigada enquanto ministra a reduzir em 15%.
A deputada eleita pelo círculo de Braga afirmou à Lusa “que muito em breve” vai apresentar as propostas de lei do Cinema e da Cópia Privada.


