Debate assinala aniversário de Eugénio de Andrade enquanto se decide extinção da sua Fundação

18.01.2010 - 16:27 Por Lusa
Um debate sobre poesia portuguesa promovido pela Fundação Eugénio de Andrade (FEA) assinala, na terça-feira, o aniversário do poeta (completaria 87 anos, se fosse vivo), numa altura em que a extinção da instituição está a ser analisada pela presidência do Conselho de Ministros.
O debate, marcado para as 18:30, nas instalações da FEA (rua do Passeio Alegre, no Porto), tem entrada livre e contará com as intervenções iniciais de Rosa Alice Branco e Rui Lage, revelou hoje à Lusa Arnaldo Saraiva, da direcção da Fundação.
Em destaque, nesta iniciativa, estará a obra “Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do século XIII ao século XXI”, de que Rui Lage é co-organizador.
O livro Chuva sobre o Rosto, editado pela Afrontamento e a Modo de Ler, que reúne 20 poemas de Eugénio de Andrade e outros tantos desenhos de Jorge Pinheiro, teve o lançamento público previsto também para terça-feira, mas a iniciativa foi cancelada.
Assim, o livro deverá ser posto à venda nas livrarias no início de Fevereiro, segundo adiantou à Lusa fonte da empresa distribuidora, a Companhia das Artes.
Entretanto, o pedido de extinção da FEA, feito pelo conselho directivo da instituição devido a dificuldades financeiras, está a ser analisado pela Presidência do Conselho de Ministros.
Arnaldo Saraiva diz que o eventual desaparecimento não ensombra a celebração do aniversário do poeta, porque “enquanto não for extinta, a Fundação existe”, mas admite que a situação possa ser ultrapassada e o futuro da instituição assegurado.
“Aguardamos serenamente a decisão sobre o pedido de extinção, feito em Dezembro, depois de muitos esforços e ponderação, dado que se tornava óbvio que a Fundação não podia cumprir os seus objectivos. Claro que o que a direcção queria era que houvesse condições minimamente favoráveis para o desenvolvimento dos objectivos previstos nos estatutos da Fundação”, observa o responsável.
Para a Fundação se manter seria necessário, de acordo com Arnaldo Saraiva, que “desaparecessem os problemas que têm dificultado o normal funcionamento de uma instituição que se chama fundação mas que nunca dispôs de fundos próprios”.
Era preciso, sublinha, que a direcção passasse a ter “condições mínimas para cumprir os objectivos previstos nos estatutos”.
O responsável esclarece que as dificuldades financeiras se agravaram com “a falência recente do distribuidor e co-editor dos livros da Fundação”.
Mas o problema é mais antigo e deve-se ao facto de o subsídio atribuído pelo Ministério da Cultura (através do Instituto Português do Livro e da Biblioteca) desde 1997 ter sido cancelado em 2005, por não ter sido formalizado em papel.
Arnaldo Saraiva vinca, no entanto, que “não havia nenhuma ilegalidade, na medida em que o dinheiro não saía de nenhum saco azul”, estando orçamentado tanto nas contas da Fundação como nas do antigo Instituto, garante o responsável.


