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Temporada 2009/10

Dança e teatro portugueses, mas também Mehldau, Birkin e Fausto no CCB

30.06.2009 - 14:31 Por Joana Amaral Cardoso

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O regresso de Rui Horta aos palcos após 25 anos atrás dos panos, três peças do Teatro Praga, “projecto desalinhado” no universo teatral que por isso mesmo mereceu o convite de António Mega Ferreira. Mais Maria João Pires a interpretar Schubert, o jazz de Brad Mehldau e Jason Moran com a Orquestra de Jazz de Matosinhos a inaugurar as colaborações do Centro Cultural de Belém (CCB) com a Casa da Música e ainda inéditos de Fausto a completar a sua trilogia em disco dedicada à diáspora portuguesa. E, pela primeira vez em Portugal, a interpretação de Madalena aos Pés de Cristo, de António Caldara.

A temporada 2009/10 do CCB foi hoje apresentada em Lisboa e a tónica é a forte aposta nos criadores portugueses, na dança e no teatro com os artistas associados Rui Horta e o Teatro Praga. Ambos os artistas convidados terão três espectáculos, de dimensão grande, média e pequena. Rui Horta enceta a sua residência no CCB com Talk Show/Até Se Apagar o Corpo, de 15 a 18 de Outubro no Pequeno Auditório – obra para quatro intérpretes concebida por Horta e com música original de Tiago Cerqueira. Depois é a vez de As Lágrimas de Saladino (5 e 6 de Março no Grande Auditório), inspirado na obra de Amin Maalouf As Cruzadas Vistas Pelos Árabes, e a sua associação finda com o regresso ao palco em Local Geographic (Sala de Ensaio, de 11 a 16 de Março). “É a primeira vez que vou estar em palco desde há 25 anos”, explicou esta manhã, numa obra “sobre a identidade” que será “provavelmente um solo para mim próprio”.

O Teatro Praga, que no CCB vai ter “raras condições de trabalho” na “estabilidade” que um ano de residência permite à companhia, escolheu “três peças que não completam propriamente um ciclo”, como explicou Pedro Penim. Padam Padam, no âmbito do projecto europeu Prospero (30 de Setembro a 5 de Outubro), no Pequeno Auditório, é a primeira e uma continuação do trabalho do Praga nas temáticas das catástrofes. Depois surge, na Sala de Ensaio, Oil Ain’t All, J.R., um jogo com os códigos do western spaghetti e onde há claros ecos da série televisiva Dallas (13 a 30 de Março), e, finalmente, Sonho de Uma Noite de Verão. Não é William Shakespeare na sua forma mais conhecida, mas com cruzamentos com The Fairy Queen, de Henry Purcell – no Grande Auditório, ainda com datas por anunciar.

Mega Ferreira garante que não vai perder Steve Reich e os Bang On a Can a 1 de Novembro no Grande Auditório, nem Winterreise, de Franz Schubert e com Maria João Pires e Rufus Müller (16 de Janeiro, na mesma sala). Já o programador João Godinho anuncia que Fausto está prestes a terminar a sua trilogia iniciada com “Por Este Rio Acima” e, depois, “Crónicas da Terra Ardente” e que trará sete canções de cada álbum, algumas das quais não interpretadas há décadas, bem como músicas novas do terceiro disco. Ainda sem título público, o terceiro tomo do tríptico inspirou-se nas “viagens dos portugueses por terras de África”, revelou João Godinho, anunciando ainda que o novo disco sairá em 2011.

E, a 8 de Outubro, Jane Birkin visita o CCB para apresentar as músicas de Enfatns d’Hiver. Uma homenagem a João Aguardela, que morreu este ano, faz-se já a 4 de Novembro com o projecto Megafone 5, e seis dias depois Gilberto Gil, Bem Gil e Jacques Morelembaum dão um concerto de cordas.

Pinter, Delbono e Cherkaoui
Fora dos trabalhos dos artistas associados, mas ainda no teatro, destaque para A Mentira, um novo espectáculo de Pippo Delbono (também no âmbito do projecto Prospero), dramaturgo, encenador e actor italiano que vem acompanhado pela sua companhia e com a produção da fundação Emília Romagna Teatro (14 a 16 de Maio, no Pequeno Auditório). Em Janeiro, na mesma sala, há La Musica, de Marguerite Duras, encenada por Solveig Nordlund e interpretada por Beatriz Batarda e Manuel Wiborg. Luísa Costa Gomes lança-se à encenação de O Princípe de Homburgo, de Heinrich Von Kleist e de 21 a 27 de Maio há Comemoração de Harold Pinter, encenada por Jorge Silva Melo e numa co-produção com os Artistas Unidos e o Teatro Municipal de Almada.

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