Lhasa de Sela

Crítica a "Lhasa" (2009)

04.01.2010 - 06:02 Por João Bonifácio

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"Lhasa", terceiro e último disco de Lhasa de Sela "Lhasa", terceiro e último disco de Lhasa de Sela ()
Lhasa nunca foi convencional, e a sua a música nunca foi apenas bonita. No seu primeiro disco ("La Llorona", 98) predominavam guitarras acústicas em canções que se aproximavam de tradicionais mexicanos, mas havia um tal sufoco na voz, as melodias estavam de tal modo escondidas por uma cortina negra, que tudo ali soava doloroso e misterioso. Ela encheu o segundo álbum ("The Living Road", 2003) de instrumentos, com melódicas, pianos e guitarras a embelezar as canções, mas o seu universo permaneceu simultaneamente onírico e carnal, e, acima de tudo, intangível.

Ao terceiro disco, "Lhasa", a beleza permanece, mas a sua música parece domada. As canções que abrem o álbum, "Is anything wrong" e "Rising", assentam em melodias bonitas (de piano, a primeira, de guitarra, a segunda), porém demasiado convencionais. "Love came here", por exemplo, é um blues (com guitarra e bateria) muito bonito, mas ainda assim um blues canónico.

"Lhasa" anda sempre por caminhos americanos, havendo derivados do blues, aproximações à folk e tangentes à country espiritual, só que raras vezes se cria uma linguagem única, não catalogável. E quando, na segunda metade do disco, se começa a procurar uma ideia de som ("A fish on land", a óptima "The lonely spider", "I'm going in") Lhasa fica presa ao que fez no segundo disco. Tudo isto é lento, bem adornado (uma pedal steel guitar aqui, um violino ali, um coro acolá) e, por vezes, muito bonito, mas falta aquele tom de ameaça que ensombrava as suas canções, aquele som de tempestade a aproximar-se, de fundações a estalar antes da queda.

Crítica originalmente publicada no Ípsilon de 22 de Maio de 2009

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RIP

Afinal a tempestade estava mesmo a aproximar-se. Afinal as fundações estavam todas a ...

Miguel

04.01.2010 12:21

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Lhasa de Sela Muito terra-a-terra e a cabeça sempre nas nuvens