“Cortes precipitados vão danificar toda a criação artística” até o final do ano

25.06.2010 - 13:37 Por Ana Dias Cordeiro
O coreógrafo Rui Horta fala em nome dos artistas e das 24 estruturas de dança contemporânea da Rede - Associação de Estruturas para a Dança Contemporânea, a que preside este ano e começa por dizer que “os artistas não rejeitam o esforço de solidariedade nacional” necessário para conter despesas num quadro de crise. Mas também “rejeita a forma impositiva e precipitada” como foi tomada a decisão dos cortes que vão reduzir em grande parte o orçamento da Direcção-Geral das Artes (DG Artes), que gere apoios e contratos com artistas e companhias independentes.
Numa entrevista hoje ao PÚBLICO, a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, reconhece que “o cenário para a DG Artes” é “preocupante” e que o objectivo seria “torná-lo menos preocupante” mas admite: “Vamos ter um período muito difícil sobretudo para os artistas independentes.”
Rui Horta lamenta “a falta de diálogo” antes das decisões de cortes do PIDDAC, que afectam directamente as verbas da DGA, braço operativo do Ministério da Cultura para áreas como o teatro, a dança e a música. “Devia ser o ministério a dar o exemplo do diálogo”, acrescenta. E diz que os "cortes precipitados vão danificar toda a criação artística até ao final do ano".
“Este é um sector muito frágil e é fundamental discutir o impacto que esta medida tem”, continua. O impacto será grande tendo em conta “a dimensão económica” do sector da cultura, “como apontam todos os estudos realizados”.
“A arte e a cultura são altamente geradoras de recursos, de serviços e de empregos”, salienta. “E é preciso deixar claro que, nos contratos-programa, os artistas têm também responsabilidades sociais”, como acordos com escolas e outras estruturas das comunidades. Tudo isso vai ser afectado, continua.
Por isso, insiste: “É urgente defender o orçamento da Direcção-Geral das Artes, é o único organismo do Ministério da Cultura que dedica a quase totalidade das suas verbas à criação artística e acção cultural.”
Também Ada Pereira da Silva, presidente da PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas, sedeada no Porto, se diz preocupada sobre os cortes em verbas “ que têm permitido que existam uma série de programas em todo o país”. A responsável da associação que agrega estruturas como a 7 Sóis 7 Luas, a Circolando, Teatro de Marionetas do Porto, e muitas outras, realça o impacto social destas medidas. “Quem será afectado não serão apenas os artistas. Nós não damos trabalho apenas aos artistas, damos trabalho à costureira, ao serralheiro, ao designer gráfico, à empresa que faz a impressão gráfica”, diz. “Nós damos trabalho a muita gente e dinamizamos a economia. Vão ser muitas famílias afectadas.”


