Para muitos o melhor músico do seu tempo. Para outros, da história. Mas como era afinal a cara do génio barroco Johann Sebastian Bach? Graças às novas tecnologias digitais forenses, um grupo de especialistas apresentou ontem a expressão que terá tido o prestigiado músico: amável e bonacheirão.
A pedido da Casa Museu do músico, com sede em Eisenach, na Alemanha, a antropóloga escocesa Caroline Wilkinson ficou encarregue de reconstruir, através de modernos meios digitais, o rosto do compositor. Para chegar à imagem hoje apresentada, com 70 por cento de veracidade, Caroline recorreu a vários retratos, a medições do seu crânio e à máscara mortuária do músico, que nasceu em 1685 e morreu em 1750.
A técnica forense relevou que Bach tinha feições amplas e maduras, o maxilar inferior ligeiramente proeminente, cavidades oculares profundas, um nariz grande, algumas entradas no cabelo e lábios carnudos. O primeiro passo foi reconstruir o crânio do compositor, através de um programa informático, para depois lhe acrescentar músculos, cartilagens e pele.
Fonte da Casa Museu de Bach contou que, em 1894, o médico alemão Wilhelm Jis e o escultor Carl Ludwig Seffner, já tinham tentado reconstruir o rosto do músico, naquele que foi a primeira tentativa do género da história.
“Apesar de estarmos expectantes e de termos seguido um processo minucioso na recriação dos músculos e dos ossos, a cor da pele, dos olhos e do cabelo do músico, continuarão sempre a ser um mistério”. Nos retratos de Bach que chegaram aos nossos dias, os seus olhos às vezes aparecem azuis e outras castanhos. Na reprodução do cabelo inspiraram-se no que seria a moda da altura.
Dia 21 de Março, data do aniversário do compositor, a Casa Museu irá inaugurar a exposição “Bach através do espelho da medicina”. O principal objecto da mostra será um busto de cera do enigmático músico.
Caroline Wilkinson já reconstruiu, também, as caras de Tutankhamon e de São Nicolau.


