Cineasta Pedro Costa e escritor Almeida Faria vencem Prémio Universidade de Coimbra

21.01.2010 - 17:05 Por André Jegundo
Depois de premiar um historiador, um matemático, uma especialista em estudos clássicos, um neurocientista, entre outros, o Prémio Universidade de Coimbra foi este ano atribuído "ex-aequo" a um realizador de cinema e a um escritor: o cineasta Pedro Costa e o romancista e dramaturgo Almeida Faria foram os escolhidos pelo júri, que lembrou tratarem-se de dois homens "mais conhecidos e valorizados no estrangeiro do que em Portugal”.
Numa sociedade que é "ingrata com os seus artistas", disse o reitor da Universidade de Coimbra e presidente do júri, Seabra Santos, o prémio procurou este ano "chamar a atenção para aquilo que de muito bom o país faz na área da literatura e do cinema". Por isso, a escolha recaiu sobre Pedro Costa e Almeida Faria: "São de gerações diferentes, têm formas de arte diferentes mas têm os dois uma imensa qualidade e contribuem para o prestígio do nosso país e para a valorização da nossa língua e da nossa cultura", justificou Seabra Santos.
Pedro Costa nasceu em Lisboa em 1959 e recebe o prémio poucos meses depois de ter estreado o novo filme “Ne Change Rien”, que foi apresentado na Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes de 2009. Entre as suas obras destacam-se os filmes “O Sangue” (1989), “Ossos” (1997), “No Quarto da Vanda” (2000) e "Juventude em Marcha" (2006). "Em Portugal há dois grandes cineastas: um que é reconhecido, Manoel de Oliveira, e outro que não o é ainda, Pedro Costa, embora já conte com muitos admiradores no estrangeiro, como provam os prémios que já recebeu no estrangeiro", defendeu Seabra Santos, na cerimónia em que foram conhecidos os galardoados.
O outro vencedor, Almeida Faria, tem 66 anos e uma dezena de obras publicadas nos géneros do romance, ensaio, conto e teatro. Já venceu vários prémios literários portugueses e, de acordo com o júri, destacou-se como um "dos primeiros cultores na ficção nacional da estética do 'novo romance'" e como um "verdadeiro pensador do mundo português e da sua época".
Em sete edições, esta foi a segunda vez que, por dificuldades em escolher apenas uma, o prémio foi atribuído em ex-aequo a duas personalidades. A primeira aconteceu em 2005 com a distinção do historiador António Hespanha e do actor e encenador Luís Miguel Cintra.
Os dois vencedores deste ano vão repartir um prémio de 25 mil euros, que será atribuído no dia 1 de Março, dia em que a Universidade de Coimbra completa 720 anos. Este ano faziam parte do júri Guilherme de Oliveira Martins (Presidente do Centro Nacional de Cultura), Miguel Valverde (director do Festival de Cinema Indie-Lisboa), Fernando Rollo (docente da Universidade Nova de Lisboa), entre outros.


