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Chefe da Casa Civil da Presidência da República esteve no velório de Saramago

20.06.2010 - 10:24 Por Lusa, PÚBLICO

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O chefe da Casa Civil da Presidência da República, Nunes Liberato, entrou esta manhã na Câmara Municipal de Lisboa, onde está a ser velado o corpo do escritor José Saramago.

O chefe da Casa Civil da Presidência da República, que representa o chefe de Estado quando este assim o determina, chegou pelas 09h40 aos Paços do Concelho acompanhado pelo chefe da Casa Militar, o tenente-general Carlos Alberto de Carvalho dos Reis, e não prestou quaisquer declarações à entrada. Cerca de dez minutos depois, ambos abandonaram o edifício da autarquia.

Na Praça do Município mantém-se o aparato da comunicação social e cerca de meia centena de pessoas, que esperam entrar no Salão Nobre da autarquia, onde está em câmara ardente o corpo do Prémio Nobel da Literatura de 1998, falecido na sexta-feira, aos 87 anos. As portas dos Paços do Concelho fecham pelas 10h45 para dar lugar a uma cerimónia privada de homenagem a Saramago, estando previsto que o cortejo fúnebre saia pelas 12h00 com destino ao cemitério do Alto de São João, onde serão cremados os restos mortais do escritor.

O Presidente da República, Cavaco Silva, recordou sexta-feira José Saramago como um “escritor de projecção mundial”, sublinhando que “será sempre uma figura de referência” da cultura nacional.

O chefe de Estado, que se encontra de férias nos Açores, não estará presente no funeral de Saramago, tal como Jaime Gama, presidente da Assembleia da República e segunda figura do Estado. Também o líder do principal partido da oposição, o PSD, Passos Coelho, decidiu manter uma reunião do partido e optou por enviar à cerimónia Miguel Relvas.

A ausência do Presidente da República nas cerimónias fúnebres tem sido alvo de críticas directas e indirectas. Ontem, o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, apelou a Cavaco Silva para que se faça representar no funeral de José Saramago, esquecendo a “perseguição política” contra o escritor protagonizada por um Governo seu. “Houve um Governo de Cavaco Silva e um secretário de Estado cujo nome o país não recorda que atacou a sua obra por perseguição política, e nessa altura, [Saramago] escolheu viver em Lanzarote, mantendo as suas pontes com Portugal”, lembrou Louçã.

O líder bloquista afirmou, porém, que, “passado esse passado, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, não deve deixar que nenhuma névoa permita qualquer confusão com aquilo que foi a mesquinhez de atitudes do passado”, quando o seu Governo censurou um dos livros do prémio Nobel, o “Evangelho Segundo Jesus Cristo”.

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Autchung, baby!

Não provoquemos ensaios sobre a lucidez nos próximos exercícios eleitorais...

Gonçalo Caseiro

20.06.2010 12:51

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