A futura Casa-Museu Júlio Pomar, localizada no Bairro Alto em Lisboa, estará pronta em meados de Outubro, quando terminarem as obras de reabilitação do edíficio, disseram hoje os responsáveis do projecto.
Com um projecto arquitectónico de Álvaro Siza Vieira, a Casa-Museu está situada na rua do Vale, próxima do atelier do artista plástico, e acolherá o espólio reunido pela Fundação Júlio Pomar.
Numa visita guiada ao local, o arquitecto Siza Vieira, o presidente da câmara de Lisboa, António Costa, e responsáveis pela reabilitação explicaram que o edifício ficará pronto em Outubro quando concluídas as obras que começaram em Abril de 2007. O investimento ronda os 900 mil euros.
"Esta era umas das obras que estava encalhada e foi preciso desencalhar. Insere-se num conjunto de espaços novos de actividade cultural que a cidade vai beneficiar", disse António Costa, elogiando "dois grandes artistas" que se juntam neste projecto.
Segundo António Costa, houve vários problemas que bloquearam o avançar do projecto. "Era um problema de engenharia, depois de contratação de empreiteiro, depois era um problema financeiro, mas tudo foi ultrapassado e a obra está finalmente a andar e tem um calendário com o qual nos podemos comprometer", disse.
Do edifício, um antigo armazém de uma livraria adquirido pela autarquia, restam as paredes exteriores e o telhado. Todo o interior será construído de raiz. A Casa-Museu terá uma galeria para exposições, um arquivo, um atelier de escultura, uma área administrativa e um pátio arborizado.
"O projecto foi difícil por natureza. A recuperação é sempre muito mais difícil do que uma construção de raiz", admitiu Siza Vieira. Na criação do projecto arquitectónico, Siza quis destacar a entrada de luz natural no interior do edifício e manter a fileira de janelas exteriores para não contrastar com os restantes edifícios de habitação da rua onde está localizado. Para o arquitecto, é "uma grande satisfação" ser "distinguido com a responsabilidade" de assinar um espaço para um pintor que admira.
Sophie Enderlin, do conselho de administração da Fundação Júlio Pomar, disse que só depois de estar concluído o edifício é que se irá preparar uma programação para o espaço. "O que será acolhido aqui é o espólio da Fundação", disse Sophie Enderlin, referindo que actualmente inclui 150 obras, a maioria de Júlio Pomar, embora integre também de outros autores, como fotografias de Gérard Castello-Lopes. "Enquanto este espaço não estiver disponível não podemos imaginar um exposição", sublinhou Enderlin, que esteve presente em representação de Júlio Pomar, actualmente em Paris.
A Fundação Júlio Pomar, criada há quatro anos, tem como objectivo divulgar a obra do pintor português, abrangendo mais de 50 anos de vida artística.
A Casa-Museu será gerida pela Fundação e ficará responsável por expor permanentemente a obra de Júlio Pomar, de 83 anos.



