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Casa da Música: O espectador do lugar K34, a assinante da ONP e o fã das noites Clubbing

09.04.2010 - 12:21 Por Sérgio C. Andrade

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Eduardo Rocha Gonçalves, Manuel Dias da Fonseca e Nelma Alas Silva, três presenças frequentes na plateia da Casa Eduardo Rocha Gonçalves, Manuel Dias da Fonseca e Nelma Alas Silva, três presenças frequentes na plateia da Casa (Paulo Ricca)
Com as muitas centenas de espectadores que vão assistir hoje à noite ao concerto de gala do 5.º aniversário da Casa da Música, em que a Orquestra Nacional do Porto (ONP) vai tocar a Sinfonia n.º 5 de Tchaikovski e estrear uma peça de António Chagas Rosa (ver Ípsilon, página 50), e, durante o fim-de-semana, ao recital de Arcadi Volodos, ao Clubbing e ao regresso de Carla Bley à frente da Orquestra de Jazz de Matosinhos, o número de ingressos no edifício irá ultrapassar os 900 mil.

Entre estes espectadores, há muitos frequentadores regulares da Casa. Têm assinaturas dos ciclos das formações ou programas preferidos: a ONP, o Remix, o Piano, o Jazz ou o incontornável Clubbing. Alguns deles têm mesmo lugar "cativo", como antes acontecia nos teatros e agora nos estádios do futebol...

É este o caso de Manuel Dias da Fonseca, talvez o mais fiel dos fiéis espectadores da programação erudita da Casa, sempre com uma atenção maior à música contemporânea, a época da sua eleição. Senta-se normalmente no lugar K34, junto à coxia, na última fila da primeira secção da plateia. Não o faz por nenhuma outra razão que não seja o acesso fácil à saída e ao elevador com o qual evita o desnível das escadarias do edifício, pouco favorável aos mais velhos.

"A música do século XX está mais de acordo com a minha sensibilidade. Mas isso não significa que vá rejeitar o que está para trás", diz este reputado melómano, 86 anos, professor reformado de Ciências Físico-Químicas, mas mais reconhecido como um dos maiores amadores da música e responsável pela programação deste sector na Câmara de Matosinhos (onde, nos anos 80, foi um vereador da Cultura pioneiro no panorama autárquico).

A provar a disponibilidade para ouvir "tudo aquilo que tenha qualidade", sem querer impor o seu gosto, Manuel Dias da Fonseca assistiu à actuação de Lou Reed no espectáculo inaugural do edifício de Rem Koolhaas, na noite de 14 de Abril de 2005. "Foi um concerto magnífico. Tenho de confessar que, a princípio, reagi mal quando vi que a Casa ia abrir com pop rock, mas depois admiti: "Porque não? O que interessa é que seja um concerto de qualidade." E foi."

Algum tempo antes, contudo, Manuel Dias da Fonseca tinha-se já estreado como espectador no edifício ainda em construção a ouvir a Sinfonia n.º 2, de Rachmaninoff, tocada pela ONP dirigida por Martin André.

Chostakovich na memória

Nessa altura, não sendo ainda frequentadora destes concertos "experimentais" na Casa ainda em construção, Nelma Alas Silva, 33 anos, uma portuense que faz divulgação científica no Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, acompanhava com atenção a carreira da ONP, ainda sedeada no Convento de S. Bento da Vitória.

No novo edifício, entrou pela primeira vez só em 2006. Mas, desde aí, é assinante das temporadas da sinfónica - que considera já como "uma das melhores orquestras nacionais" -, e não perde também alguns programas do Remix e do ciclo de piano. "Tento nunca perder o Grigori Sokolov, estive no segundo recital do Alfred Brendel e quando, no ano passado, vi a actuação do Berezovski com a ONP, percebi que ele mais tarde ou mais cedo viria para um concerto a solo" - o que aconteceu em Fevereiro deste ano.

Nelma Silva guarda todos os programas dos espectáculos que vê, assiste sempre que pode às palestras pré-concerto e actualmente frequenta, "com muito agrado", o curso de História da Música, que depressa esgotou o limite das inscrições. Mas o concerto de que guarda melhores recordações é o da ONP a tocar a 8.ª Sinfonia de Chostakovich. "Ficou-me na memória; é uma peça incrível que eu não conhecia. Fui logo comprar o disco."

Manuel Dias da Fonseca consegue enumerar tanto as obras que já ouviu e gostou - a primeira foi "um ensaio em que o maestro Peter Rundel dirigiu a Sagração da Primavera numa versão apenas com cordas, fantástico!" - como aquelas que ainda aí não foram executadas. "Sei que é muito difícil programar. Tenho concordado com o que tem sido feito, mas gostava de poder ouvir também outras coisas. Por exemplo, o Schönberg, que é um músico fundamental do século XX e não tem sido muito tocado aqui. Só o primeiro período."

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Que porcaria é...

Que porcaria é o "clubbing"? Não é um estrangeirismo mas apenas ...

Henrique Costa

11.04.2010 19:16

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