José Mário Branco, Fausto e Jorge Palma são três dos músicos portugueses que participam, dia 23, em Lisboa, no "Canções pelo Iraque", um espectáculo contra a invasão norte-americana do Iraque.
O espectáculo, uma iniciativa da secção portuguesa do Tribunal Iraque e da Associação Abril, reunirá no palco do cinema São Jorge oito músicos que se opõem ao conflito causado pela intervenção dos Estados Unidos e aliados, afirmou o cantor José Mário Branco.
Além do intérprete de "Resistir é vencer", o espectáculo contará com as presenças de Fausto, Jorge Palma, Paulo de Carvalho, Pedro Abrunhosa, Luís Represas, Camané e Pacman, dos Da Weasel.
O objectivo, segundo José Mário Branco, "não é fazer do espectáculo um discurso político sobre a guerra, mas alertar para os aspectos mais gravosos do conflito, as consequências humanitárias".
"Uma grande parte da opinião pública portuguesa está anestesiada e intoxicada, não tem acesso a todos os factos", referiu o músico, para quem este espectáculo é uma oportunidade dos músicos mostrarem ao seu público que estão contra a guerra.
O concerto decorre quatro anos depois da cimeira dos Açores, onde George W. Bush e Tony Blair decidiram a invasão militar do Iraque. Na altura, o motivo era a eliminação de armas de destruição maciça. Quatro anos depois, o ex-Presidente iraquiano Saddam Hussein foi deposto, julgado e executado e o Pentágono reconheceu que há uma guerra civil no Iraque.
Nestes quatro anos de conflito, o balanço humanitário dá conta de 650 mil vítimas civis iraquianas, milhares de refugiados e mais de três mil baixas entre os militares norte-americanos.
Ao fim destes quatro anos "de ocupação e resistência", José Mário Branco acredita que "o império se enganou ao pensar que ia entrar no Iraque como faca em manteiga e encontrou pela frente uma resistência que não conseguiu vergar".
"Fazendo da canção uma arma", cada um dos oito músicos deverá interpretar três a quatro temas no espectáculo, que deverá durar duas horas e contará com a apresentação da actriz Rita Blanco e do encenador Jorge Silva Melo.



