Câmara de Lisboa recusa-se a financiar Feira do Livro que seja "palco de guerras comerciais"

15.05.2008 - 17:16 Por Lusa
O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, afirmou hoje que a autarquia não está disponível para financiar uma feira do livro que seja "palco de guerras comerciais", mas ressalva que a realização do evento não está em causa.
O autarca afirmou aos jornalistas que "a feira está autorizada e realizar-se-á certamente", mas a autarquia está a ponderar se mantém o apoio que tem dado ao evento. "Apoiámos uma feira como a feira tem sido, onde todos têm espaço e todos existem, uma grande festa do livro e da leitura. A feira transformada em palco de guerras comerciais, isso não estamos disponíveis para financiar", disse António Costa.
Em causa estão os pavilhões que o grupo editorial Leya, representado pela União dos Editores Portugueses (UEP), quer instalar na feira e que, segundo a câmara, a organização, da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) manifestou disponibilidade para aceitar e posteriormente recusou.
A autarquia notificou ontem a APEL da possibilidade de serem retirados os apoios concedidos pela câmara, quer através de um subsídio de cerca de 200 mil euros, quer através da isenção de taxas, e aguarda resposta da associação."Vamos ponderar, em função do que também a APEL nos disser", disse António Costa.
A entrega do "layout" com a organização da feira por parte da APEL aos serviços da autarquia, que não tinha acontecido até ontem, "está ultrapassada", afirmou o autarca, que se escusou a avançar se a montagem dos pavilhões foi retomada, depois de ter sido suspensa quarta-feira devido à falta desse documento.
A retirada dos apoios à organização da feira foi uma hipótese colocada em cima da mesa pelo director municipal de Cultura, ontem, na reunião do executivo municipal, explicou António Costa.
Na reunião, o director municipal de Cultura, Rui Pereira, apresentou um "memorando sobre como o processo tem decorrido e como tem havido uma posição de incompreensível intransigência e até de violação de compromisso, que deve existir entre pessoas de bem, por parte da APEL", disse.
Num comunicado divulgado ontem, a câmara afirmou que a APEL comprometeu-se a aceitar os pavilhões diferenciados do grupo editorial Leya e posteriormente recusou inclui-los no certame.
Questionado sobre a autorização da câmara à instalação por parte do grupo Leya de pavilhões no local onde se realiza a feira, Parque Eduardo VII, António Costa disse que aquele grupo editorial "apresentou à câmara um projecto de pavilhão e a câmara não tem qualquer objecção do ponto de vista técnico a esse modelo de pavilhão". "Foi só a isso que a câmara respondeu", sublinhou.
António Costa reiterou que a feira do livro "não é uma organização da câmara e os problemas deste ano não são propriamente inéditos, aparentemente são recorrentes". "Ninguém culpa a câmara, e não é justo que o faça, pelo facto de as partes não se entenderem. Espero que todos acabem por ter bom senso", afirmou, sublinhando que a autarquia procurou mediar este "conflito entre privados".

